Vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, fala ao Jornal Ribeirão
Alckmin falou ao Jornal Ribeirão sobre obras, repasses e a crise no STF
, atualizado
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O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou neste sábado (19), em Ribeirão Preto, que o governo federal liberou o aval para a primeira parcela de R$ 250 milhões destinada à implantação da Via Leste-Oeste. O projeto, estimado em R$ 1,1 bilhão, será financiado pela Caixa Econômica Federal e é apontado como uma intervenção estruturante para a mobilidade urbana de Ribeirão Preto e de toda a região metropolitana.
Em entrevista ao Jornal Ribeirão, Alckmin definiu a agenda na cidade como uma prestação de contas dos investimentos federais e afirmou que o governo Lula atua de acordo com as necessidades dos municípios, independentemente de alinhamento partidário. Além da obra viária, ele citou os recursos emergenciais repassados após o tornado que atingiu Ribeirão Preto e cidades da região.
Primeira parcela liberada
Segundo Alckmin, a assinatura da primeira tranche de R$ 250 milhões representa o início da execução financeira da Via Leste-Oeste, projeto apresentado pela administração do prefeito Ricardo Silva. O empreendimento terá financiamento total de R$ 1,1 bilhão pela Caixa Econômica Federal, com garantia do governo federal por meio do Tesouro Nacional.
“O governo do presidente Lula anunciou R$ 1,1 bilhão para o projeto do prefeito Ricardo Silva de implantação da Via Leste-Oeste. E a primeira tranche de R$ 250 milhões já recebeu aval do governo federal”, afirmou Alckmin ao Jornal Ribeirão.
A obra deve ligar as regiões leste e oeste da cidade, com intervenções previstas em mobilidade, infraestrutura urbana e qualificação dos espaços públicos. O projeto inclui pontes estaiadas, viadutos, ciclovias, áreas verdes, drenagem, iluminação, sinalização, faixas exclusivas para ônibus e calçadas acessíveis.
“O investimento vai melhorar a mobilidade urbana, aumentar a qualidade de vida das pessoas e beneficiar toda a região metropolitana de Ribeirão Preto”, disse Alckmin.
Durante a visita, ele classificou a proposta como “um belíssimo projeto” e afirmou que a melhoria dos deslocamentos urbanos de Ribeirão Preto produzirá impacto regional. A cidade é polo de serviços, indústria, educação, saúde e agronegócio para dezenas de municípios.
Governo apresenta balanço
Alckmin também utilizou a passagem por Ribeirão Preto para apresentar os recursos autorizados pelo governo federal depois do tornado registrado na região cerca de um mês antes. Segundo ele, a União mobilizou ações de ajuda humanitária e de reconstrução para municípios atingidos.
“O governo tem sido um parceiro do estado de São Paulo e amigo de Ribeirão Preto”, disse. “Estivemos aqui recentemente para verificar os prejuízos causados pelo tornado e, rapidamente, aprovamos R$ 6,7 milhões em recursos para ajuda humanitária e reconstrução tanto em Ribeirão Preto como Guariba, Dumont e Taquaritinga.”
No caso de Ribeirão Preto, Alckmin informou que R$ 329 mil já haviam sido pagos, R$ 485 mil estavam empenhados e R$ 708 mil haviam sido aprovados. Os valores são direcionados à recuperação de prédios, vias, pontes e outras estruturas afetadas pela tempestade. O vice-presidente lembrou que os municípios ainda podem protocolar projetos dentro do prazo de 90 dias após a ocorrência.
Pluralidade política
A visita de Alckmin à cidade reuniu uma frente política ampla, com a presença da ex-ministra Simone Tebet, candidata ao Senado; da vereadora Duda Hidalgo; do apresentador José Luiz Datena, candidato a deputado federal; do senador Jorge Kajuru; do vice-prefeito Alessandro Maraca; e do ex-deputado estadual Rafael Silva, pai do prefeito Ricardo Silva.
Questionado pelo Jornal Ribeirão sobre o significado dessa pluralidade de apoios em Ribeirão Preto, Alckmin afirmou que o governo federal não deve condicionar investimentos a afinidades partidárias.
“O governo do presidente Lula é republicano, não enxerga cor partidária, enxerga as necessidades da população”, declarou. Para ele, Ribeirão Preto tem importância econômica estratégica para São Paulo e para o país, por concentrar atividades do agronegócio, parques industriais, serviços e instituições de ensino.
A fala reforçou a ideia de cooperação entre União e município. O governo federal, segundo Alckmin, tem a obrigação de apoiar projetos que gerem desenvolvimento, mobilidade, emprego e qualidade de vida, independentemente da sigla do prefeito ou dos grupos que disputam eleições.
STF e reformas
Na entrevista, Alckmin também comentou a situação do Supremo Tribunal Federal e defendeu uma nova agenda de reformas no Judiciário. Ele disse ser “muito triste” o que ocorre na Corte e afirmou que a abertura dos sigilos é necessária para que a população tenha acesso à verdade.
“O presidente Lula fez a primeira reforma do Judiciário em seu primeiro mandato, criando o Conselho Nacional de Justiça e o Conselho Nacional do Ministério Público e, agora, está decidido a trabalhar com a sociedade para fazer a segunda reforma”, disse.
Alckmin reafirmou sua posição a favor da fixação de mandatos para ministros do STF. “Nada pode ser vitalício. Além disso, é preciso ter um código de ética”, afirmou.
Na coletiva realizada após o evento, o presidente em exercício declarou que os Poderes são independentes, mas devem atuar de forma harmônica. Ele defendeu transparência, investigação dos fatos e prestação de contas como princípios essenciais da vida pública.
Estabilidade e investimentos
Sobre o cenário político nacional e o período eleitoral, Alckmin afirmou que o compromisso do governo é assegurar estabilidade, previsibilidade e credibilidade institucional. Segundo ele, a administração federal busca combinar responsabilidade fiscal, crescimento econômico, geração de emprego, investimentos e políticas sociais.
“O foco do nosso governo é o bem-estar da população, o desenvolvimento econômico com sustentabilidade, geração de empregos, oportunidades e renda”, afirmou ao Jornal Ribeirão.
O vice-presidente citou a reforma tributária, a Nova Indústria Brasil, o Novo PAC, a ampliação de investimentos em saúde e educação e os acordos comerciais como pilares da estratégia federal. Na avaliação dele, o desafio do próximo período é consolidar investimentos e transformar a capacidade brasileira de produzir alimentos, energia renovável e insumos estratégicos em prosperidade para a população.