Federal: estratégia de milhões de $, por milhões de votos em Ribeirão

Caciques articulam acordos e estratégias com Fundão por vagas de Deputados Federais em 2026

, atualizado

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Câmara dos Deputaods
Câmara dos Deputaods - Foto: Imagem do Sartre
Câmara dos Deputaods - Foto: Imagem do Sartre

MDB: BALEIA E AS CADEIRAS


Baleia Rossi tem um desafio mais estrutural do que de performance, a manutenção da atual bancada de seu Estado e desafio de Baleia. O MDB perdeu mais de 1 milhão e meio de votos na janela partidária, na conta fria, deve ficar com apenas 4 cadeiras na bancada federal, uma a menos que na legislatura atual. Baleia deve escalar muito em votos pessoais, mas a legenda pode encolher. Em Ribeirão Preto, Baleia não será o mais votado da cidade, pois tem um ex-prefeito bem avaliado disputando também. A redução dos “forasteiros midiáticos” que antes puxavam votos de outros partidos por aqui é bem menor, e o “Voto Local, Voto Legal” ajuda muito, embora ter desdenhado.

PSD: NOGUEIRA DE VOLTA?


O PSD apostou em nomes pesados e deve chegar a 8 cadeiras no Congresso, duas a mais que as atuais. Duarte Nogueira tenta o retorno a Brasília após 10 anos, sem estrutura institucional, sem emendas parlamentares e sem estrutura de gabinete federal, apenas com seus contatos entre prefeitos e a boa avaliação que deixou na prefeitura de Ribeirão Preto. A expectativa é de uma largada de 45 mil votos na cidade e, somando a região, pode ficar na 6ª ou 7ª colocação entre os possíveis eleitos eleitos do partido. Mesmo com a competitividade interna do PSD, o palpite é que Nogueira consiga voltar a Brasília.

NOVO: MARCO SOLO


O Partido Novo tem em Marco Aurélio seu ex-candidato a prefeito, segundo mais votado na disputa municipal, que tenta converter a projeção para a eleição federal. O Novo deve ficar com a cadeira que tem no Congresso Nacional, que está com a deputada Adriana Ventura, que teve cerca de 110 mil votos. É possível que chegue a 2, mas é pura aposta, fora da realidade dos números. O desafio de Marco Aurélio segue sendo evidenciar conhecimento e apresentar propostas técnicas. Outro obstáculo está dentro do próprio partido: o candidato a deputado estadual André Rodini não faz dobrada com ele, mas sim com Adriana Ventura, o que prejudica Marco Aurélio em Ribeirão. Marco bateu na trave na eleição municipal por ter uma parte pequena da sua igreja que não votou na indicação do bispo, o que, no meio político, é lido como sinal de que Marco é difícil de negociar e pensa só em si e perde no detalhe. Marco Aurélio deve estar 6º 8º colocado da legenda se for bem na região.

REPUBLICANOS: TIME DESFALCADO


O Republicanos, partido do governador Tarcísio de Freitas, não escalou seus 71 candidatos a deputado federal: foram apenas 52 nomes, restando 19 vagas abertas. Não foi por falta de interessados, pois havia muitos querendo estar ao lado do governador, mas por conta de um acordo político com MDB, PSD, PL, PP e União Brasil, base política do atual governo estadual. Em Ribeirão, essa decisão faz muita diferença: não atrapalha a colheita de votos de Baleia Rossi e Duarte Nogueira na cidade e ainda permite que parte do eleitorado opte por Tarcísio na disputa ao governo sem constrangimento. O Republicanos, portanto, não atua com o time completo, mas deixa uma janela aberta para o trabalho dos candidatos de Ribeirão. O REP deve fazer 4 cadeiras das atuais 5.

PP/UB: MAGOADO


Maurício Neves, do PP, deveria ser, em tese, o candidato de Ribeirão Preto para herdar os votos do atual prefeito Ricardo Silva. Mas uma negociação feita na eleição municipal anterior rachou o partido ao meio. Hoje, Maurício Neves depende mais da interação com candidatos a deputado estadual de outros partidos do que das figuras políticas do PP local. O atual presidente da Câmara Municipal, Daniel Gobi, é um dos que não apoia a candidatura do líder de seu próprio partido no estado, tampouco a do colega de bancada Franco Ferro. E o PP municipal também não demonstra animação com a candidatura de Maurício Neves. Em Ribeirão, o ex-candidato a prefeito e atual candidato a deputado estadual André Trindade (UB), 'inexpressivo' na última eleição, faz dobrada com Maurício Neves. Guilherme Derrite, deputado federal, concorre ao Senado e deixa cerca de 5 mil votos para a disputa caseira do “Voto Local, Voto Legal”. PP e União Brasil apesar do "prejuízo" em Ribeirão, devem somar de 6 a 7 cadeiras; hoje têm 5.

AVANTE: POPULISTAS E PUXADORES


O Avante aposta na velha receita do populismo — tipo Tiririca, Enéas e o cacique Juruna — para arrebanhar o maior número de cadeiras possível. Entre os quatro excelentes puxadores do partido, dois se destacam: Caneta Azul, pela notoriedade nacional, e Hagara do Pão de Queijo, candidato de Ribeirão. Só nesses dois, o Avante colocou quase R$ 2 milhões e deve bater fácil o teto dos R$ 3 milhões, muito longe dos R$ 50 mil destinados a Augusto Cury, candidato à presidência pelo partido. Com o investimento maciço, o Avante tem a expectativa de pelo menos 3 cadeiras. Mas a concorrência é grande, e esses puxadores são, por ora, uma aposta de primeira viagem, ainda que tenham excelente visibilidade. A coluna entende que o Avante terá 1 cadeira e que Hagara pode ficar com a segunda ou terceira suplência. Resta saber se essa estratégia de investir maciçamente em puxadores não está, na verdade, trabalhando para eleger Daniel Augusto Cury, filho de Augusto Cury, que vem subindo nas expectativas de voto, alavancado pelo crescimento do pai na presidência, daqueles que preferem candidato mais moderado.

PL: SEM OS FORASTEIROS


O PL, assim como o Republicanos, não colocou um candidato da terra para disputar uma vaga no Congresso Nacional. Isaac Antunes, presidente municipal do PL, concorre a uma cadeira na Alesp, na última eleição, concorreu a deputado federal. Isso abriu caminho para uma disputa de colheita mais intensa entre Baleia Rossi e Duarte Nogueira pelos votos da terra. Há um acordo político entre Baleia e Isaac Antunes, presidente do diretório municipal do PL. O que também favorece o contexto do voto local é que vários “forasteiros do voto”, como Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro, não são candidatos, assim como Ricardo Salles, que hoje está no Novo e concorre ao Senado. Ainda assim, o PL paulista deve ter 14 cadeiras; hoje tem 16.