Negócio Marista: "Pai ou coveiro"
ESPECIAL: Registro de imóveis á Certidão de óbito
, atualizado
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CHOPP SEM ESPUMA
Depois de quase um ano de novela, Prefeitura e Marista “desistiram da permuta”. A nota conjunta atribuiu a decisão às condições definidas pela Câmara, especialmente prazos e consequências por descumprimento. Entrou água no chope — e o centro administrativo continuou sem endereço. A coluna soube que a iniciativa partiu do Grupo Marista, por meio de seu corretor junto à Casa Civil. O desgaste dos Irmãos Maristas precedeu a iniciativa, e o aluguel pesou, mas não teria sido o maior problema. O Marista passou a contar com a insegurança jurídica do negócio, a falta de concorrência pública, o que poderia congelar a contrapartida paga à Prefeitura, e o grupo ficaria sem o recurso e sem o lote de terreno diante de uma pendenga judicial que poderia se estender até outro governo municipal.
NEGÓCIO BOM PARA OS DOIS LADOS
O negócio ficou ruim para os dois lados. Para o Marista, ficou mais caro, pois era sabido que o pagamento de aluguel do imóvel poderia deixar o custo do negócio bem mais alto do que pretendiam fechar. Para a Prefeitura, a contrapartida financeira, tendo de ser destinada unicamente às reformas do prédio, frustrou interesses políticos de investimento em outras áreas, como a Casa do Autista, promessa de campanha que provavelmente ficará para outro mandato.
PANO PARA AS MANGAS
Na semana anterior à aprovação da permuta pela Câmara, o Grupo dos Irmãos Maristas protocolou na Prefeitura o projeto inicial de construção, que compreendia pouco mais de 50% da área. O projeto prevê ainda uma rua privativa que corta o terreno. Contudo, ninguém explica o que seria feito no restante da enorme área, nem mesmo as emendas alcançariam que tipo de negócio ou empreendimento aconteceria no local em sua fase seguinte. O assunto daria pano para as mangas.
NEGÓCIO DOS CÉUS
Durante uma missa, o padre Robson defendeu a permuta do imóvel do Marista pelo terreno da Prefeitura. Disse que os valores foram definidos pelo município e lembrou que padres, coitados, não são exatamente especialistas em negócios. A operação, porém, acabou descendo do céu antes de chegar ao cartório.
PADRE DEFENSOR
O padre Robson aproveitou o sermão para rebater as críticas à permuta e insinuou que havia vereador alardeando um negócio ruim e acusando os religiosos de levar vantagem. Não citou Daniel Gobbi, mas também não precisou desenhar: na paróquia, todos sabiam quem era o pecador.
EXCOMUNHÃO POLÍTICA
Daniel Gobbi foi o vereador que questionou a permuta e, por isso, entrou na mira da defesa marista. Faltou apenas o anúncio formal da excomunhão: no lugar da bula papal, vieram as críticas ao parlamentar por sugerir que os padres poderiam estar levando vantagem sobre os interesses coletivos da população.
TOCANDO BUMBO
O vereador Daniel Gobbi vem tocando bumbo político nas redes sociais, em programas de entrevistas, como o Larga Brasa, de Antônio Carlos Morandini, e em podcasts. O vereador enaltece as incoerências, a falta de transparência e a iniciativa de fiscalização parlamentar.
A VOLTA
A família Oliveira não esconde a insatisfação com Maraca, que não teria apoiado Léo Oliveira como esperado. A cobrança ganhou peso depois da aprovação da permuta e da pressão por votos favoráveis ao projeto elaborado pelo vice. No fim, o negócio acabou e a conta política ficou. Já se sabe que Maraca não tem apoio da família para uma eventual chapa de Ricardo Silva na reeleição.
ZÓIO ABERTO
O Ministério Público poderia ter entrado em cena para investigar a curiosa proposta do negócio e posto fim à história em que a Prefeitura incorporaria o prédio ao patrimônio público, mas o Marista continuaria ocupando o imóvel sem pagar aluguel por prazo indeterminado. Seria a compra de uma casa com direito a manter o antigo dono como hóspede permanente.
HÓSPEDE ECLESIÁSTICO
A dúvida era simples, embora o negócio não fosse: quem comprasse o imóvel ficaria com o patrimônio, mas o antigo proprietário continuaria por ali. O município assumiria a escritura e o Marista, aparentemente, o direito de permanência na sala de visitas.
SUPERPROMOTOR
O promotor Alexandre Padilha ganhou fama de super-herói, ou “homem temido” no Executivo e no Legislativo, mas a capa foi costurada pelo próprio Executivo, com a ajuda do Legislativo. Nos episódios anteriores, bastou pedir “atenção” para que empresas municipais, cargos comissionados de chefia e conselhos sofressem mudanças e para que a Câmara avaliasse uma nova eleição para a presidência. O ganho de musculatura foi notável.
MISSÃO DADA...
Executivo e Legislativo ensinaram que uma recomendação pode percorrer rapidamente o caminho entre o protocolo e a ordem de serviço. Diante da permuta, o promotor nem precisaria sentar-se na cadeira do prefeito: bastaria observar, pedir e aguardar o movimento dos poderes.
TOCANDO BUMBO
O vereador Daniel Gobbi vem “tocando bumbo político” nas redes sociais, em programas de entrevistas, como o Larga Brasa, de Antônio Carlos Morandini, e em podcasts. O vereador enaltece as incoerências, a falta de transparência e a iniciativa de fiscalização parlamentar. O vereador capitaliza como se fosse candidato.
“FIZ O QUE PUDE”
O prefeito Ricardo Silva até tentou fazer de tudo para que vingasse o projeto de seu vice e de seu partido: a permuta do imóvel do Marista. Mas a costura política e técnica ficou concentrada na Casa Civil, pasta com essa missão, comandada pelo próprio Alessandro Maraca, que já havia deixado clara a importância de uma Câmara mais alinhada aos projetos de governo. Ainda assim, o episódio também mostra que o núcleo duro do governo já começa a olhar para outros caminhos no comando político que deve seguir nos meses seguintes à eleição, rumo a 2028.
ALÍVIO NO RECREIO
Entre os pais de alunos do Marista, sobretudo os das turmas iniciais, a desistência da permuta foi recebida com certo alívio. A mudança para o terreno da Prefeitura era vista como uma possível guinada no perfil da escola, atraindo um público mais elitizado e alterando custos de matriculas e atmosfera que parte das famílias conhece e aprovou.
Com o negócio desfeito, muitos pais deixam de fazer a conta que mais incomodava: além da mensalidade, o custo de procurar outra escola.