Jornada atual 6X1 adoece quem trabalha", diz relator da PEC em passagem por Ribeirão Preto
Deputado Alencar Santana PT participou de podcast com Duda Hidalgo (PT) para debater direitos das mulheres, LGBTQIA+ e fim da escala 6×1. O JR ouviu o relator da PEC nº 8/2025
, atualizado
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Ribeirão Preto — O deputado federal Alencar Santana (PT-SP) e a vereadora Duda Hidalgo (PT) participaram nesta semana do podcast Quilombo de Ideias, em Ribeirão Preto, onde debateram direitos das mulheres, da população LGBTQIA+ e o fim da escala 6×1.
A proposta de redução da jornada de trabalho, em tramitação no Congresso como PEC nº 8/2025, foi tema central da conversa, que também reuniu lideranças do PT local para discutir mobilização popular e políticas de justiça social.
Durante sua passagem pela cidade, Alencar participou de uma série de agendas e debates sobre os desafios do país e da região. A agenda também contou com a presença de José Alfredo, da direção partidária, e Edson, presidente do PT de Ribeirão Preto.
O Jornal Ribeirão ouviu o deputado federal Alencar Santana sobre os detalhes da proposta, os próximos passos no Congresso e os impactos da mudança para os trabalhadores brasileiros.
"Jornada atual adoece quem trabalha", diz relator da PEC
Jornal Ribeirão — Deputado, o senhor preside a Comissão Especial criada para discutir o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal. Depois das audiências e dos diferentes setores ouvidos pela Comissão, que diagnóstico o senhor faz sobre a atual jornada de trabalho no Brasil e quais são hoje os principais pontos de consenso e divergência?
Alencar Santana — Todas as audiências públicas que fizemos nas cinco regiões do Brasil e na Câmara foram unânimes em apontar uma jornada de trabalho que gera muito mais prejuízos ao país do que benefícios. Pesquisadores, juristas, dirigentes sindicais, especialistas na área trabalhista, trabalhadores e até empresários confirmaram nos nossos debates o que vários estudos já demonstram há muito tempo: a jornada de trabalho atual, com a produtividade e a tecnologia que dispomos, adoece quem trabalha e não gera mais riqueza para as empresas.
Não é à toa que todas as grandes empresas no Brasil e no mundo oferecem mais flexibilidade e mais tempo livre aos seus novos contratados, porque isso passou a ser um diferencial muito grande, já que as pessoas querem um pouco mais de tempo para cuidar da saúde, da família, para estudar, para desfrutar do lazer e outras atividades do seu cotidiano. Só quem quer manter a atual jornada e a mesma carga horária são aqueles setores que, se pudessem, imporiam uma escala 7x0 e sem limites de jornada. Conseguimos construir uma maioria onde as divergências estavam mais na duração do período de transição para a implantação da nova escala e da redução de 44 para 40 horas semanais.
Jornal Ribeirão — O debate envolve não apenas acabar com a escala 6x1, mas também definir qual deve ser a nova jornada semanal dos trabalhadores brasileiros. Qual modelo o senhor defende? É possível reduzir a jornada sem redução salarial e, ao mesmo tempo, construir uma transição que considere as diferenças entre os diversos setores da economia?
Alencar Santana — Eu sou favorável à proposta que defendemos há vários anos: o fim imediato da escala 6x1 e a redução gradual — em dois anos — das 44 para as 40 horas semanais. As diferenças entre as categorias precisam ser reconhecidas e a regulação disso terá que ser feita observando cada caso e suas particularidades, assim como foi feito na redução da jornada de 48 para 44 horas, na Constituição de 1988. Mas isso é consequência do princípio geral que é o fim da escala 6x1 e da jornada de 44 horas.
Jornal Ribeirão — A mudança da jornada exige uma alteração constitucional e, portanto, uma maioria qualificada no Congresso. Como o senhor avalia a tramitação política dessas propostas hoje? Existe ambiente na Câmara para aprová-las e quais são os principais obstáculos para que a redução da jornada saia do debate e se transforme efetivamente em um direito dos trabalhadores?
Alencar Santana — A Câmara aprovou a PEC em dois turnos com votações expressivas (461 e 472 votos) e acredito que isso deve se repetir no Senado. À medida que o debate avança — e a sociedade acompanha isso de perto — os parlamentares vão percebendo que não existe bicho-papão e que essa proposta tem apoio amplamente majoritário da população e respaldo científico e jurídico consolidado.
Apenas alguns setores mais reacionários e insensíveis a esse avanço civilizatório imprescindível vão se colocar contrários, mas serão derrotados. Tenho convicção de que já em 2026 vamos ver o início da implantação do fim da escala 6x1 e da redução da jornada semanal, uma luta de quase 40 anos.
PEC nº 8/2025 — A proposta de emenda à Constituição que trata do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho está em tramitação no Congresso Nacional, sob relatoria do deputado Alencar Santana (PT-SP).