'ENTRELINHAS DO PODER'

, atualizado

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DIPLOMACIA MACIA

Ricardo Silva recebeu Ronaldo Caiado com toda a pompa que o roteiro partidário exige, mas a conversa com o Palácio dos Bandeirantes segue naquele estilo conhecido de quem sorri com os dentes e calcula com a nuca. A meta de agradar o visitante, não comprar briga com Tarcísio e ainda evitar irritar Kassab. É uma ginástica política que exige mais contorcionismo do que musculação.

MELZINHO NA CHUPETA

O lançamento da campanha de Rafael Silva Jr. reuniu mais de 700 pessoas, 14 prefeitos e vice-prefeitos da região e até a presença do patriarca dos Silva. No discurso, o candidato recorreu à memória afetiva da família e contou que cuidava do irmão caçula, Ricardo Silva, quando os pais estavam trabalhando, chegando a dizer que colocava mel na chupeta para acalmar o irmãozinho. A política adora essas cenas domésticas embaladas para consumo público.

JURAMENTO JUDICIAL

Por 14 votos a 8, a Câmara aprovou a permuta envolvendo o Colégio Marista e o lote do Jardim Nova Aliança. Mas, se depender de vereadores como Daniel Gobbi e Perla Müller, a história ainda vai render carimbo, recurso e burocracia até cansar o executivo — com passagem garantida pelo TCE, pelo MPE-SP e, se preciso, pelo Judiciário, numa dessas sobrevidas políticas que parecem feitas para atravessar mandato.

NEGÓCIO APERTADO

As emendas assinadas por Daniel Gobbi e Perla Müller foram aprovadas, apesar do encaminhamento do vereador Franco Ferro pela rejeição. Elas apertam prazos, amarram a destinação dos recursos e criam a cobrança de aluguel pelo imóvel até a entrega definitiva da posse. Agora, o texto segue para o prefeito Ricardo Silva, que pode sancionar ou vetar as mudanças; se as emendas forem barradas, a lei fica prejudicada, tornando a aprovação praticamente inócua para o negócio.

EXCOMUNGOU-SE

Daniel Gobbi foi direto ao ponto e, sem cerimônia, foi duro com os padres do Marista com o que realmente importa: gente interessada em lucro, não em bem comum. Para ele, a operação lesa Ribeirão Preto e não tem nada daquela retórica bonita sobre compromisso social que costuma acompanhar negócios muito rentáveis.

SEGUE O LÍDER

A defesa entusiasmada de Camilo Calandreli no encaminhamento do negócio do Marista, na sessão da Câmara, trouxe uma revelação que explica muita coisa e disfarça pouca: ele é o líder do governo Ricardo Silva! "Encontramos um líder", como resumiu um governista, sem qualquer sutileza. E aí a posição virou argumento, o argumento virou alinhamento, e o resto é só quem sabe.

CÂMERAS CORPORAIS

O episódio em que um guarda civil municipal matou uma cadela com disparo de revolver que defendia os filhotes durante uma operação escancara, mais uma vez, por que câmera corporal não pode ser vista como luxo. Se a guarda quer ser tratada como força policial, com arma, farda e atuação ostensiva, a gravação das ações deixa de ser detalhe e vira obrigação mínima de transparência.

TROPEÇO ETÍLICO

O vereador Paulo Modas foi flagrado em vídeo saindo de um evento com uma long neck (cerveja) na mão e depois assumindo a direção do veículo. O problema é que o episódio não cai no vazio: ele já capotou carro oficial da Câmara, foi atropelado ao atravessar a rua e passou um longo período em coma na UTI. Com esse histórico, o mínimo seria prudência.

EXPLICAÇÕES SEM FRANQUIA

Maurício Vila Abranches continua se mexendo para responder ao promotor Alexandre Padilha, sobre a suposta rachadinha ligada ao pagamento da franquia do seguro de um carro oficial. Nos bastidores, há quem diga que novos documentos já foram encaminhados à promotoria e desmontam parte da versão anterior. Enquanto o conserto foi feito em concessionária autorizada, as explicações seguem com cara de gambiarra.