Familiar estratégico com chefia conveniente

Edição nº 97 16 a 23 de Julho/2026

, atualizado

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charge - Foto: Josú Barroso
charge - Foto: Josú Barroso

CHEFIA CONVENIENTE

Segundo o vereador Sargento Lopes (PL), o ex-vereador Lincoln Fernandes (PL) resolveu mirar a artilharia dentro de casa e protocolou nova denúncia no MP — desta vez contra o próprio colega de partido. No centro da história, a esposa do vereador, acomodada em função de chefia com salário robusto na RP Mobi, numa coincidência administrativa que costuma atender pelo nome de nepotismo.

FAMILIAR ESTRATÉGICO

Em vídeo de seis minutos nas redes sociais, Sargento Lopes negou o pacote completo, comparou sua produtividade de um ano com a década do suposto denunciante e tentou deslocar o foco. Curiosamente, evitou dizer em voz alta que a agente pública em questão é sua esposa. Preferiu a versão mais suave: uma "familiar". Destacou ainda que o cargo é anterior ao seu mandato de vereador — o que é verdade, embora nem sempre resolva o problema que finge resolver.

ÉTICA PARTIDÁRIA

O vereador Sargento Lopes afirma ter em mãos provas com nome e sobrenome do autor da denúncia anônima, no caso seu colega de partido, o ex-vereador Lincoln Fernandes (PL). O imbróglio deve escalar o caso para dentro da própria legenda, com possibilidade de encaminhamento ao Conselho de Ética e até um eventual pedido de expulsão de Lincoln da legenda, A crise como esperado deve sai do plenário e entrar no partido, outro capitulo previsto do cansativo percurso de Lincoln na Direita.

NEPOTISMO ENVIESADO

A denúncia não surge no vazio. Ela encaixa como peça em um cenário já bastante tensionado, onde o governo também enfrenta representação no MP envolvendo o vice-prefeito Alessandro Maraca, igualmente por nepotismo e improbidade administrativa. Nos bastidores, a expectativa é simples: se puxar o fio, pode vir uma coleção inteira — empresas públicas, hospital, gabinetes e autarquias incluídos no mesmo álbum, algo bastante comum, que se apura sempre em ano eleitoral.

MARISTA AMORNOU

O projeto de permuta do Marista perdeu temperatura nos bastidores e já não empolga como antes para votação pré-recesso. A dúvida agora nem é só política — é de interesse. Entre vereadores, o comentário é direto: diante do barulho, o próprio colégio está saindo discretamente de cena sem mais interesse no negócio. No pano de fundo, cresce a percepção quase unânime de que o vice-prefeito já não sustenta a Casa Civil com a firmeza exigida, acumulando mais ruído do que articulação.

PRESTÍGIO RESILIENTE

Apesar da pressão, fontes do governo garantem que Alessandro Maraca segue prestigiado com a confiança da equipe. A linha é clara: qualquer denúncia será enfrentada no cargo, com direito a reação judicial na medida da conveniência do Maraca. Em tradução livre, ninguém pretende descer do barco — ao menos não desta forma.

TRANSPARÊNCIA OPACA

Como já revelado pelo JR, a FIPASE vive um curioso apagão de transparência, especialmente no que diz respeito ao balanço patrimonial. Soma-se a isso a nebulosa construção do Health to Business Center (H2B), erguido sem a devida clareza sobre cronogramas físicos e financeiros, apesar do uso de verba federal e da responsabilidade municipal no acompanhamento. Para completar o cenário, o Executivo nomeou o ex-vereador Renato Zuccolotto como representante do governo na fundação — figura que, em tese, deveria garantir que tudo funcione dentro da normalidade e comunicasse a Justiça Municipal.

PALESTRA SUSPEITO

O vereador Rangel Scandiuzzi conseguiu aprovar a CPI do Palestra, que promete revisitar com lupa a compra do imóvel. Entre os pontos sensíveis está a atuação do COMPPAC, que teria deixado vencer um tombamento provisório. A comissão também vai examinar a negociação realizada após o destombamento, já que o laudo de avaliação teria sido produzido quando o tombamento ainda estava em vigor — um detalhe técnico capaz de reduzir, com elegância, o valor de mercado do imóvel. A ideia do vereador a principio ouvir o COMPPAC, requerer documentos sobre avaliações e compra, para depois ouvir os compradores, a ver se é possível manter o tombamento histórico.