Fipase esconde Balanço Patrimonial e gastos "administrativos"
Fundação que gere o Supera Parque só publica pedaços de números após cobrança e segue escondendo balanço e gastos de viagens
, atualizado
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A Fipase, fundação pública que administra o Supera Parque em Ribeirão Preto, descumpriu o prazo legal para publicar o seu balanço patrimonial de 2025. Segundo a legislação, a entidade deveria divulgar suas informações contáveis até o final de abril, mas só publicou parte dos números no dia 7de julho, após ser questionada pelo Jornal Ribeirão.
Outras fundações municipais, como Santa Lydia e Fundet, já publicaram seus balanços.
Os números que a fundação decidiu mostrar no Diário Oficial formam um retrato parcial: foram R$ 9,8 milhões em receitas contra 24,51 milhões em despesas empenhadas, dependendo pesadamente de transferências e saldos anteriores para fechar as contas.
Há frustração relevante de receitas de capital (apenas R$ 4,1 milhões de R$ 7 milhões previstos) e forte expansão de investimentos, com R$ 13,9 milhões empenhados e só R$ 4,8 milhões liquidados, o que indica obras e projetos empurrados para frente.
Movimentação
Quando se olha o fluxo de caixa, o cenário não melhora: as operações geram R$ 3,1 milhões líquidos, mas a fundação gasta R$ 4,5 milhões em investimentos e depende de R$ 4,19 milhões em transferências de capital para terminar o ano com caixa maior, de R$ 16,9 milhões. Em resumo, os "pedaços" de demonstrações que foram publicados revelam uma entidade que cresce em investimentos e desembolsos, sem mostrar claramente como isso se sustenta no longo prazo, e ainda esconde o balanço patrimonial - justamente a peça que permitiria ao cidadão enxergar o tamanho real do patrimônio, das dívidas e dos compromissos assumidos.
A reportagem do Jornal Ribeirão procurou diretamente a Gerência de Desenvolvimento da FIPASE, representada por Juliana Quiroga, e a contadora responsável pelas peças contábeis publicadas em 07/07/2026, Yhurika Sandra Takamoto, que assina o balanço orçamentário, financeiro e a demonstração de fluxo de caixa da fundação. O objetivo foi esclarecer o acesso aos dados de transparência, os números apresentados nas demonstrações e, sobretudo, o atraso e a omissão do balanço patrimonial de 2025 até a presente data.
Em resposta, a gerência de desenvolvimento limitou se a encaminhar um link de portal de transparência institucional, onde, no momento da checagem, estava disponível apenas um relatório anual de atividades de 2025, sem detalhamento de informações contábeis, parecer do conselho fiscal, relatório de auditoria ou qualquer referência a balanço patrimonial. Já a contadora Yhurika Sandra Takamoto foi questionada especificamente sobre os números publicados e sobre a ausência do balanço patrimonial e das notas explicativas, mas, até o fechamento desta matéria, não houve retorno aos questionamentos enviados pela reportagem.