Rombo milionário e dependência da prefeitura ameaçam Santa Lydia

Com rombo de R$ 10,3 milhões no Balanço, fundação pretendia fazer 'piloto' de terceirização na UBS Santa Cruz; Justiça suspende iniciativa

, atualizado

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UBS Hélio Lourenço, no Santa Cruz: parceria piloto com Santa Lydia
R. Triunfo, 1070 - Santa Cruz do Jose Jacques, Ribeirão Preto - SP - Foto: Divulgação
R. Triunfo, 1070 - Santa Cruz do Jose Jacques, Ribeirão Preto - SP - Foto: Divulgação

A Fundação Hospital Santa Lydia (FHSL) encerrou 2025 com déficit financeiro, patrimônio líquido negativo e uma série de fragilidades contábeis apontadas por auditoria independente contratada pela própria instituição. O cenário expõe a forte dependência da entidade em relação aos repasses da Prefeitura.

Os números revelam uma instituição que movimenta cifras milionárias, porém sem sustentabilidade patrimonial compatível com o tamanho da operação que administra. Em 31 de dezembro de 2025, de acordo com balanço patrimonial publicado no Diário Oficial, a Fundação registrava receita operacional de R$ 225,8 milhões, mas fechou o exercício com déficit de R$ 758,5 mil, patrimônio líquido negativo de R$ 10,3 milhões e passivo circulante superior ao ativo circulante em R$ 6,9 milhões.

Na prática, os dados demonstram pressão sobre a liquidez de curto prazo e uma estrutura financeira ainda altamente dependente do suporte público para continuar operando. A Fundação teve receita líquida de serviços de saúde de R$ 214,4 milhões, majoritariamente oriunda do SUS. Sem os contratos de gestão firmados com a Prefeitura, porém, a situação financeira da entidade se tornaria insustentável.

O peso dos recursos públicos aparece também nas demonstrações patrimoniais, especialmente na movimentação ligada a contratos de gestão e convênios com o município, que somavam R$ 19 milhões a realizar ao fim do exercício. O quadro mostra uma entidade de grande escala operacional, mas sustentada pelo fluxo contínuo de repasses públicos.

Por outro lado, os contratos relacionados à gestão das UPAs são considerados superavitários. Na prática, isso significa que a Prefeitura não apenas remunera a Fundação pela administração das unidades, mas também absorve parte do desequilíbrio operacional da instituição.

AUDITORIA

O cenário se agrava quando analisados os relatórios dos auditores independentes. O parecer apontou uma série de problemas, como a falta de estudos técnicos.A auditoria também identificou falhas na segregação entre custos e despesas, comprometendo a leitura precisa do resultado operacional e reduzindo a transparência das demonstrações financeiras.

Os alertas, inclusive, não são inéditos. Apontamentos semelhantes vêm sendo registrados por auditorias independentes desde 2020.


OUTRO LADO

O Santa Lydia afirmou que a ampliação de atuação decorre de avaliação técnica da Secretaria da Saúde

e que a gestão assumiu a Fundação em cenário de déficit acumulado e vem promovendo medidas de reorganização administrativa.

A nota afirma que eventuais novas unidades somente seriam incorporadas mediante contratos específicos. Reiterou, ainda, compromisso com a transparência, boa gestão dos recursos públicos e a qualidade da assistência prestada à população. Apesar disso, a entidade não respondeu objetivamente sobre eventual ampliação da terceirização da rede básica municipal.