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RICARDO RETIDO
O Executivo retirou de votação, na última hora, o projeto que regulamenta a Lei Cidade Limpa, e a leitura nos bastidores é direta: o governo preferiu recuar antes de receber um recado atravessado da própria base. Com a temperatura já elevada por causa do PLC do Marista, havia o risco de algum vereador usar a justificativa de voto para cobrar do governo a condução ruim do caso — especialmente pela bagunça política atribuída à Casa Civil — e transformar a votação em mais um desgaste público. Nos corredores da Câmara, a avaliação é de que um vereador do PSD faria um "papo reto".
LEITURAS
A leitura dentro da Casa Civil é cada vez mais forte: o Projeto Marista deve acabar seguindo pelo caminho do pedido de urgência, e isso só não ocorreu ainda porque há votos indecisos no meio do caminho. O temor dos governistas é claro: primeiro, verificar se a urgência passa; depois, saber se esses mesmos votos se sustentam até a sessão seguinte. Alessandro Maraca (MDB), o vice articulador da negociação, recorreu a um pedido de "força" ao prefeito, que ficou de se reunir com vereadores no fim desta semana.
PERDE OU GANHA
Ganha força, dentro da ala mais conservadora do governo, a avaliação de que o PL do Marista já está desgastado demais. Com isso, começa a surgir a defesa de uma alternativa: leiloar o terreno e deixar o dinheiro em caixa. A aposta é política e pragmática ao mesmo tempo — garantir recursos para obras com a marca de Ricardo Silva, encerrar uma polêmica que certamente voltaria em 2028 para atormentar o prefeito e ainda evitar ruídos desnecessários na aprovação das contas. "Se o Marista precisa tanto desse terreno, que arremate em um leilão", resumiu um governista.
EPA!!!!
O recuo passou a ser considerado após integrantes do Executivo tomarem conhecimento de que o NOVO monitora o andamento atabalhoado da Casa Civil, já mirando as eleições de 2026 e 2028. O PT, por sua vez, além de acompanhar a situação, atua ativamente contra o Projeto de Lei do Executivo. Encaminhamentos à parte, é o prefeito quem pode acabar enfrentando o assunto em debates futuros e surgindo como principal responsável perante o TCE, ainda que não tenha colocado diretamente as mãos no PLC.
MULHER DE MALANDRO?
Maraca só apanhou na questão do Marista. Viu o governo não aparecer para dividir o desgaste e ainda assistiu ao jurídico e à Procuradoria Municipal optarem pelo silêncio durante a audiência pública. Em meio a todo o turbilhão, acompanhou a posse da nova presidência do CONPPAC jurando que não atuou no processo. Agora, Maraca quer maior protagonismo do MDB na presidência da Casa de Leis e na Mesa Diretora. Depois de apanhar em público e ficar sem escudo, quer ao menos transformar o isolamento em espaço de poder.
CUPIM ENQUADRADO
Maurício Vila Abranches (PSDB) escapou da cassação na Câmara, mas a paz durou pouco: agora o Ministério Público abriu inquérito, já com capa, número e objeto definidos, para lembrar que, na política, nem sempre sair pela porta da frente significa escapar do MP. Enquanto respirava aliviado, a Câmara recebia pedidos de informações sobre o sinistro e prêmio da franquia de seguro, além dos pagamentos, no caso envolvendo um de seus acidentes, causador de danos de grande monta ao veículo oficial pagos, supostamente, no cartão de crédito de um assessor.
TERCERIZAÇÃO DO DEBOCHE
A Fundação Santa Lydia e a Secretaria da Saúde fizeram cara de paisagem diante dos questionamentos do Jornal Ribeirão sobre a terceirização das UBSs e os números da Fundação. Em vez de esclarecer, preferiram despistar, sem responder objetivamente sobre a terceirização das unidades. Dias depois, Maurício Godinho, em sua página pessoal, negou qualquer intenção de terceirizar. A negativa, porém, veio apenas após sucessivas cobranças da imprensa e manifestações do sindicato — o tipo de resposta que costuma aparecer quando a transparência chega atrasada e a desconfiança já chegou antes.