Jardim Aliança X Colégio Marista

Coluna extraordinária da Audiência Publica do PLC 24/2026 – autorização para permutar lote do Jd. Aliança com imóvel Colégio Marista

, atualizado

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Audiência Publica do PLC 24/2026 – autorização para permutar lote do Jd. Aliança com imóvel Colégio Marista
Audiência Publica do PLC 24/2026 – autorização para permutar lote do Jd. Aliança com imóvel Colégio Marista - Foto: Foto: Acervo Paulo Sartre
Audiência Publica do PLC 24/2026 – autorização para permutar lote do Jd. Aliança com imóvel Colégio Marista - Foto: Foto: Acervo Paulo Sartre

PORRETA

A presidente da comissão da audiência pública e vereadora Perla Müller assumiu o papel de cobrar clareza sobre o imóvel que a Prefeitura pretende adquirir. “Qual é o projeto? Quem vai saber quantos funcionários cabem? O que vai ser feito lá?”. A vereadora também apontou inconsistências legais e jurídicas na negociação e cobrou que a Procuradora-Geral do Município e o subsecretário da Justiça se manifestassem para abrandar os apontamentos — o que não ocorreu, enfraquecendo as pretensões de Alessandro Maraca. O silêncio da dupla jurídica deixou Perla como a única voz técnica a pressionar por transparência e por um projeto definido.


BATEU MÃO NA MESA

Em meio à audiência pública, o vereador Danilo Scochi, do MDB, ensaiava um gesto didático e democrático — pediu aos presentes, com as mãos ao alto, para medir quantos eram a favor e quantos eram contra, para, dali em diante, costurar o seu raciocínio. Mas, a poucos centímetros de distância, o vice-prefeito Alessandro Maraca, seu colega de MDB, visivelmente incomodado, interrompeu a enquete do correligionário, sem o mesmo apreço pelo improviso democrático, tentando impor um certo ardor corretivo. Maraca apontou que assessores parlamentares estariam ali, de mãos erguidas, contra a permuta. No fim, a enquete revelou menos sobre a opinião dos presentes e mais sobre os limites silenciosos da participação quando ela começa a sair do controle.


"NAS COXAS"

O vereador André Rodini fez uma reprimenda ao servidor José Antônio Lanchote, da Prefeitura, afirmando que os avaliadores públicos foram muito mal em seus ofícios: a diferença entre as duas avaliações do imóvel chegou a quase 30 milhões de reais. Rodini disse: “(...) então, ou seja, parece que o negócio foi feito assim: não pode mais falar ‘nas coxas’, né? Parece que é, então não vou falar ‘nas coxas’. Parece que o negócio foi feito assim, do jeito que quiseram fazer, para descer o negócio goela abaixo da população(...)” Lanchote permaneceu em silêncio.

LANCHOTE LACROU

Lanchote surpreendeu a todos no início de sua fala na audiência pública com uma autodescrição incomum nas audiências do município: “Sou um homem branco, de cabelos brancos, com olhos verdes, uso óculos, estou trajando uma camisa xadrez, uma blusa verde e uma calça jeans”. Disse que essa é “a minha identidade, feita para as pessoas com deficiência” e enfatizou que “é muito importante que a gente faça a autodescrição”. A abertura atípica pode ter sido uma tentativa de quebrar o gelo, talvez uma antecipação consciente de que enfrentaria momentos difíceis — recado que o vereador André Rodini já havia dado antes, ao repreendê-lo diretamente e criticar a qualidade da avaliação imobiliária feita por seus colegas servidores.

EX-CHEFE TAMBÉM TASCOU

O ex-secretário de Planejamento e atual presidente da Câmara Municipal, Daniel Gobbi PP — que foi vice-prefeito do governo Duarte Nogueira e chefe direto de José Antônio Lanchote quando este era seu subordinado —, não deixou o momento de sinceridade do servidor passar em branco. Ao final da audiência, Gobbi foi direto: “Quero inclusive agradecer o senhor Lanchote pela sinceridade de hoje. Lanchote, o senhor afirmou textualmente: ‘Não tenho um projeto estruturado sobre isso.’ E fica a pergunta: o que de fato será apresentado? A Secretaria de Planejamento não planejou, simplesmente emendou.”

ATO FALHO

No meio da argumentação, Lanchote deixou escapar um ato falho que expõe a fragilidade do planejamento: afirmou textualmente “vai caber todo mundo naquele local? Um projeto é que vai nos dizer”. Com essa frase, deixou clara a falta de números — não sabe quantos funcionários estarão lá, não sabe quantos cabem no espaço e não sabe se o projeto atenderá ao Colégio Marista. O ato falho revela que a Secretaria de Planejamento não planejou antes de agir; apenas pretende emendar, sem números, sem capacidade calculada e sem projeto estruturado.

SEM DEFESA

A Procuradora-Geral do Município, Dra. Taísa Cintra Dosso, e o subsecretário da Justiça Municipal, Dr. José Aparecido Nunes Queiroz, preferiram não se manifestar e não contestaram as inconsistências legais e jurídicas apontadas pela vereadora Perla Müller. O silêncio da dupla enfraqueceu a posição defendida pelo vice-prefeito Alessandro Maraca, já que o mínimo que se esperava era uma manifestação técnica e jurídica para abrandar os apontamentos legais feitos pelos vereadores, munícipes e especialistas.

COMPARAÇÕES

A observação do agente imobiliário Luiz André ecoou na audiência: “O imóvel do Marista é antigo, já atingiu o teto de depreciação; o lote do Jardim Aliança pode chegar a R$ 13 mil o metro quadrado”. A fala levou muitos a levantarem a questão de que há espaço considerável para valorização do lote da Prefeitura, enquanto o prédio do Colégio Marista sofre desvalorização marcante — por tombamento, pela idade e pelo teto de depreciação já atingido. Os valores, assim, chegam próximos ao custo do projeto do Centro Administrativo do Educandário, reforçando o paradoxo: o lote pode valer cada vez mais; o prédio, cada vez menos.

MUNÍCIPE BRAVO

Após o ato falho de Lanchote — que admitiu não saber quantos funcionários caberão no prédio e que “um projeto vai nos dizer” —, o munícipe Antônio Davi, no momento mais tenso, interrompeu o servidor, expondo o vazio do planejamento: “Será que a prefeitura, com seus planejadores e seus arquitetos, foi lá e fez um estudo de viabilidade antes de mandar o projeto para a Câmara? Se não fizeram, isso é zero: tem que ficar parado, devolver o projeto e dizer que não é viável. Se fizeram, não adianta discutir.” O munícipe foi interrompido no meio da fala pelo vice-prefeito Alessandro Maraca, que o cortou dizendo que “todos falaram e agora era a vez deles falarem”. Na sequência, Maraca admitiu, sem rodeios, que não há resposta definida: “Com a metragem que temos lá, caberia o Centro Administrativo, caberia com todas as secretarias? Nós não temos essa resposta ainda.” O conjunto revela: se não houve estudo de viabilidade, o projeto é zero; se houve, ninguém sabe ou ninguém quer mostrar.

SOZINHÊS DE MARACA

A audiência pública não só expôs fragilidades do PLC 24/2026, a falta de planejamento e, principalmente, a falta de engajamento de todo o governo. Pelo menos neste projeto, Maraca está sozinho: não foi capaz de mobilizar a própria Secretaria de Planejamento para se engajar de forma mais consistente e tornar o projeto minimamente aceitável para pauta. A falta de articulação interna e o isolamento de Maraca ficaram claros, por exemplo, no silêncio da dupla jurídica que representa o governo. Além disso, não foram apresentados dados concretos nem estudos essenciais, como os de impacto de vizinhança e de trânsito, o que gerou frustração entre moradores que, ao final, se queixaram aos vereadores. Também não houve clareza sobre o projeto, seus objetivos ou a estrutura administrativa prevista, limitando-se a expectativas vagas de uso do espaço para funções centrais, como o gabinete do prefeito e a Casa Civil.


AUSÊNCIA POUCO SENTIDA

O presidente da Comissão de Finanças, Orçamento, Fiscalização, Controle Tributário e Auditoria, vereador Matheus Moreno, do mesmo partido do vice-prefeito Alessandro Maraca (MDB), não compareceu à audiência pública. Nem mesmo as altas cifras do negócio fizeram que o vereador se preocupasse com o assunto com o andamento do negócio conduzido pelo seu correligionário. Quem se importa, afinal o PLC tem DNA do MDB, diz muito sobre a ausência.