ENTRELINHAS DOS PODERES

, atualizado

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BOLA DENTRO...

A gestão Ricardo Silva (PSD) dá um passo inédito ao inaugurar o PAM - Pronto Atendimento em Saúde Mental, apontado como o primeiro do gênero no país. A iniciativa não apenas coloca Ribeirão em evidência na pauta da saúde pública, como também revela capacidade de gestão ao identificar uma demanda sensível e transformá-la em política concreta. Nos bastidores, o movimento fortalece o secretário de Saúde, Maurício Godinho, que passa a ganhar densidade política de olho em 2028, seja como candidato a vereador, seja compondo como vice no projeto de reeleição.

...BOLA FORA

O mesmo Godinho avança também na terceirização de Unidades Básicas de Saúde — hoje referências de qualidade na cidade e na região — por meio da Fundação Santa Lydia, abrindo caminho para a chamada quarteirização via ONGs, da mesma forma que na Semas, hoje sob seu domínio. Se no PAM houve leitura de demanda e resposta estratégica, aqui a impressão é de um risco administrativo e político imenso: trocar o que dá certo por um modelo notadamente problemático.

ÀS CLARAS

O Consórcio Conecta pediu prorrogação para prestar esclarecimentos à CPI da iluminação pública de Ribeirão, na tentativa de encurtar a fila de demandas por troca de lâmpadas na cidade. Mas o que vem se escondendo nos bastidores, e que o representante da Conecta promete colocar às claras, é que o contrato com a prefeitura seria inexequível. Sobre a mesa do todo-poderoso Cláudio Almeida — uma espécie de "Ortega Abboud" do governo Silva — existe um pedido de realinhamento econômico, até agora sem resposta. A conexão entre consórcio, CPI, contrato com a prefeitura e política está, mais do que nunca, sob luz de mercúrio.

O CUPIM E O SONHO

O vereador Maurício Vila Abranches (PSDB) reza para não precisar explicar por que a franquia do carro sinistrado não passou pelo caixa da Câmara. Por ora, vai desconversando e tendo pesadelos. Na psicanálise, Freud diria que o sonho é realização de desejo, mas também campo em que o medo se disfarça de narrativa. O que resta é escolher entre o desejo de não responder e o medo de que a verdade venha a calar. O cupim chegou aos sonhos do vereador, que ainda não encontrou uma boa história para contar.

NÃO FECHA

O vice-prefeito e chefe da Casa Civil, Alessandro Maraca (MDB), se movimenta para se reunir com a base governista e dar explicações sobre a polêmica envolvendo a permuta com o Colégio Marista — em roteiro que lembra os tempos em que era presidente do Legislativo e precisou defender repasses milionários ao consórcio Pró-Urbano. A diferença, que grita aos ouvidos dos vereadores, é o tamanho do desafio: a discrepância de R$ 30 milhões entre as duas avaliações do lote da prefeitura na Braz Olaia Acosta e o interesse inalterado do Marista no negócio. De bobos, os padres não têm nada.

AGENTE SOMBRA

Um agente imobiliário das galáxias, entusiasta da permuta do lote público om o imóvel dos padres do Marista, conversa há tempos com empresários, agentes políticos e autoridades locais. O mercado imobiliário conta que o imóvel, antes do projeto de lei da permuta, esteve à venda por anos no site da Lago Imobiliária e foi oferecido a gestores da Pereira Alvim, Copema e Grupo Thathi, que refugaram. Agora, a prefeitura aparece como a última cartada para viabilizar um excelente negócio. Para quem, cara-pálida?

CUTUCADA

Na Jornada da Habitação — repleto do SInduscon repleto de prefeitos e autoridades, o presidente da Câmara, Daniel Gobbi (PP), deu uma cutucada no secretário de Planejamento, Cláudio Almeida. Gobbi citou o número de 44 loteamentos aprovados quando ele era vice-prefeito e secretário da pasta.. O recado vem em momento sensível, quando construtoras e incorporadoras relatam dificuldade para aprovar projetos.

OLHO ABERTO

O presidente do sindicato dos Servidores, José Avelino, foi a campo protestar contra a terceirização e a quarteirização em frente a uma UPA. Vários projetos de lei que pedem análise de impacto na folha indicam redução gradual do número de servidores em razão de aposentadorias e, em boa parte, desligamento da representação sindical. Nos próximos 12 anos, a queda de contribuição pode atingir um quarto da carteira.