André Rodini e Mauricio Vila Abranches devem explicações

Vereadores André Rodini e Maurício Vila Abranches precisam dar explicações à sociedade em meio a novas polêmicas na Câmara

, atualizado

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A esquerda vereador Mauricio Vila Abranches (PSDB), a direita vereador André Rodini (NOVO)
A esquerda vereador Mauricio Vila Abranches (PSDB), a direita vereador André Rodini (NOVO) - Foto: Foto: Reprodução Redes Sociais
A esquerda vereador Mauricio Vila Abranches (PSDB), a direita vereador André Rodini (NOVO) - Foto: Foto: Reprodução Redes Sociais

Por [Ângelo Lopes], para o Entrelinhas dos Poderes – Sartre – Jornal Ribeirão - 30 de maio de 2026 – 13h40

Em um momento já tenso para a Câmara Municipal de Ribeirão Preto, após a cassação do ex-vereador Lincoln Fernandes por rachadinha, dois novos casos envolvendo os vereadores André Rodini (NOVO) e Maurício Vila Abranches (PSDB) reacendem o debate sobre ética, transparência e coerência no Poder Legislativo municipal. Ambos os parlamentares devem explicações à sociedade por condutas que colidem com as posições que defenderam em outros processos disciplinares recentes.

André Rodini: da vaga de idoso à multa por embriaguez, e as contradições de um autor de leis morais
O primeiro caso é o do vereador André Rodini, que nos últimos dias voltou a estar no centro de controvérsias por estacionar seu veículo próprio em vaga reservada a idosos na frente da Câmara Municipal. Apesar de ter pedido desculpas publicamente, Rodini não abordou o ponto mais grave da situação: o fato de que ele foi multado por embriaguez ao volante, infração que, no Brasil, é crime previsto no Código de Trânsito Brasileiro, com penalidades que incluem suspensão da habilitação, multa gravíssima e possível prisão.

O que chama atenção é a omissão do vereador sobre esse detalhe. Ainda que o carro seja veículo próprio, a conduta de um parlamentar que se coloca como moralista e defensor de causas sociais é especialmente sensível quando envolve crime de trânsito por embriaguez.

A contradição com o caso Bigodini (MDB)
Essa omissão ganha ainda mais peso quando se considera o posicionamento de Rodini em outro caso recente: o do vereador Bigodini, que se envolveu em acidente de trânsito dirigindo embriagado. Na ocasião, Rodini votou a favor de abertura de processo disciplinar contra o vereador Bigodini, declarou a favor da cassação do vereador votou junto com colegas pela suspensão do mandato de Bigodini por 180 dias. Bigodini pagou a multa por afastamento e responde processo penal.

A pergunta que fica para a sociedade é: se a mesma regra se aplica a Bigodini, por que não se aplica a André Rodini? Por obvio, vale destacar que Rodini julgou o colega, tendo cometido o mesmo ato infracionário quase um ano antes do sinistro de Bigodini. Ainda em tempo Rodini pode encaminhar a mesa diretora da Câmara um pedido de auto suspensão. Será??!!

Declarações homofóbicas, aprofóbicas e processo por quebra de decoro
A questão da embriaguez não é a única polemica na recente no histórico do vereador. André Rodini já passou por processo de cassação por mensagens preconceituosas, envolvendo declarações aprofóbicas (aversão a pobres) e homofóbicas em relação ao "papai Noel Gay da Noruega". 

O episódio conhecido como “Papai Noel Gay”, Rodini afrontou e desafiou a comunidade LGBTQIA+ quando propôs uma moção de repudio ao Consulado e Governo da Noruega com temática homofóbica.

Mais recentemente, durante as comemorações dos 125 anos do Mercadão Municipal de Ribeirão Preto, o vereador declarou em grupo de WhatsApp que haveria “uma pobrice danada” no evento e que as pessoas “carregariam bolo nos baldes”, em referência à população pobre.
Essas expressões desumanizantes e discriminatórias geraram denúncia e levaram à abertura de processo disciplinar por quebra de decoro. A Câmara, em sessão posterior, aliviou Rodini da punição, mas o episódio permaneceu como marco de sua postura controversa em relação a grupos vulneráveis.

Maurício Vila Abranches: dois carros detonados, seguro pago por assessor e o fantasma da rachadinha
O segundo caso envolve o vereador Maurício Vila Abranches (PSDB), situação considerada ainda mais grave por envolver dois veículos da frota da Câmara destruídos e pagamento de franquia de seguro por assessor parlamentar.

Dois carros detonados: um da frota antiga e o Arrizo 6 de luxo
Vila Abranches detonou dois carros durante sua gestão: Um carro da frota mais antiga da Câmara, que sofreu danos graves; Um carro de luxo, o Arrizo 6, que foi guinchado na área rural após atingir uma pedra no cárter/reservatório de óleo, causando vazamento e fusão do motor.
O prejuízo do segundo caso ficou em torno de R$ 68 mil reais. Exclusiva do Jornal Ribeirão.

O veículo tem seguro, mas a questão é: quem pagou a franquia do seguro?
De acordo com informações da Câmara, o gasto com o pagamento de franquia não passou pelos cofres comuns do legislativo e que um assessor parlamentar teria assumido o custo com seu cartão de crédito pessoal (versão não confirmada pela assessoria do vereador). Esse tipo de prática, se confirmado, configura repassar gasto público para recurso privado de assessor, algo que no contexto atual é associado ao fenômeno da rachadinha.

Quem assistiu a sessão de cassou o mandato do ex-vereador Lincoln Fernandes deve lembrar do avido do advogado Júlio Mossin. “qualquer relação financeira entre vereador caracterizava como rachadinha ou peculato”.

Improbidade administrativa: vereador não pode pedir cartão emprestado
O vereador Maurício Vila Abranches ganha quase R$ 30 mil reais por mês. Não cabe, em hipótese alguma, que um parlamentar com essa renda peça cartão de crédito de assessor "emprestado" para pagar franquia de seguro de veículo oficial e ainda de forma parcelada. se for essa a versão, “não cola”.

A pergunta que se impõe é:
Porque não informou a coordenação administrativa para providencias do financeiro da Câmara?
Por que ele repassou esse gasto para o assessor parlamentar?
Isso pode configurar também uma forma de rachadinha.
Isso pode ser enquadrado como improbidade administrativa.
Aqui, o esclarecimento, vai além, necessário processo disciplinar para apurar essa possível improbidade administrativa, e a sociedade espera transparência total, apesar da Câmara ter já providenciado expediente interno administrativo para entender o que de fato ocorreu com o processo de pagamento da franquia do veiculo oficial (ainda não confirmada pela Câmara).

Campeão de manutenção de veículos e de gasto com combustível
Maurício Vila Abranches também figura no topo dos gastos da Câmara. Ele é:
Campeão em todas as legislaturas de manutenção de veículos; campeão anual (todos os anos) de gasto de combustível de longe, há várias legislaturas. Vila Abranches até declara abertamente que utiliza o veículo oficial para sair da sua casa e ir para a Câmara, e da Câmara para sua casa. Ele é o vereador que mais gasta combustível e mais gasta com manutenção de veículo na história da Câmara de Ribeirão Preto.

Vila Abranches precisa responder à sociedade:
Sobre os dois carros detonados, especialmente o Arrizo 6 com prejuízo de R$ 65 mil;
Sobre o pagamento da franquia de seguro por assessor;
Sobre o uso do carro oficial para trajeto casa–Câmara;
Sobre os altos gastos com combustível e manutenção de forma recorrente;
E sobre a possível improbidade administrativa e rachadinha ao repassar gasto para assessor.

A Câmara não pode escolher de quem cobra ética
Ribeirão Preto vive um momento delicado em sua vida política. Após a cassação de Lincoln Fernandes por rachadinha, a Câmara precisa demonstrar que ética e transparência valem para todos, sem exceção.
Não é possível que vereadores cassam colegas por rachadinha ou embriaguez e, ao mesmo tempo, silenciem sobre condutas semelhantes em si mesmos. A sociedade não aceita duplo padrão.
André Rodini e Maurício Vila Abranches devem dar explicações claras, públicas e detalhadas à população. Se acreditam na moralidade pública, precisam começar por si mesmos. Caso contrário, a impressão que fica é de que a ética na Câmara é apenas para os outros.