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CPI CONSENSUAL
Como a coluna havia adiantado, os vereadores aprovaram a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a Parceria Público-Privada (PPP) da iluminação pública. A proposta partiu do presidente do Legislativo, Daniel Gobbi (PP), que também vai presidir a CPI. O Consórcio Conecta já foi notificado doze vezes pela Prefeitura de Ribeirão, que cobra o cumprimento de cláusulas contratuais, e o Ministério Público deu prazo de 30 dias para a solução dos problemas. Por ironia, a CPI encurta a distância entre o presidente da Câmara e o prefeito.
FIM DE LINHA
Depois de enfrentar um processo de cassação duro, Lincoln Fernandes (PL) agora aguarda a denúncia do Ministério Público no caso das "rachadinhas", o mesmo que ajudou a empurrá-lo para o abismo político. A diferença é que, se tentar o caminho de um acordo de não persecução penal, ele entra num terreno que a Justiça já negou ao ex-vereador Sérgio Zerbinato (PSDB), condenado por rachadinha em regime fechado — e isso explica por que, no PL, cresce a leitura de que a expulsão de Lincoln virou mais uma questão de tempo do que de dúvida.
BLINDADO
A sustentação da defesa do vereador Lincoln foi enfática ao lembrar aos vereadores presentes que qualquer transação financeira entre vereadores e assessores parlamentares resultará, obrigatoriamente, em processo de cassação e inquérito policial. Ironias à parte, estamos falando de coisa séria: Lincoln precisava de apenas seis votos, entre os vinte possíveis, para enterrar de vez o processo. Por coerência mínima, bastaria que seis gabinetes se abstivessem, evitando o risco de amanhã terem de passar pelo que Lincoln passou, no mesmo palco: os acordos que hoje fingem não existir.
MORALISMO
A conclusão do relatório da Comissão Processante no caso Lincoln Fernandes mudou a temperatura dos gabinetes e tornou a rachadinha um risco real, sobretudo para quem ainda tratava o tema como vício antigo de bastidor. Agora, entre discurso e prática, a distância encurtou, não por súbita iluminação ética, mas pelo medo de assessores reivindicarem a suspensão de "contribuições", porque o passado, de repente, ficou caro demais, depois de Lincoln.
GULOSÃO
Lincoln, bariátrico, comeu em todos os pratos do gabinete e também quis provar de tudo na política, sem distinguir o que lhe cabia do que não lhe pertencia. No PL, partido que nunca foi exatamente o seu habitat natural, acabou onde não devia estar e praticando o que não devia praticar: a rachadinha. No fim, a voracidade com os colegas e com a própria estrutura política cobrou a conta.
ONGs NA MIRA
As ONGs e OSCIPs deixaram de ser vistas apenas como braços comunitários e passaram a chamar a atenção de Ministérios Públicos, justamente porque a parceria com prefeituras abriu espaço para captura por agentes políticos e disputa por controle nas administrações, por interesse eleitoral e financeiro. Quando essa engrenagem já viciada encosta no crime organizado, o tema sai do campo da administração e entra de vez no radar de investigação pesada — e é aí que entra o Ministério Público Federal.
ONGs CORPORATIVAS
As ONGs já não vivem só da lógica comunitária: em muitos casos, ganharam escala nacional, estrutura profissional e benefícios tributários que as aproximam de verdadeiras corporações do terceiro setor. Com verdadeiros executivos profissionalizados ocupando diretorias de várias ONGs ao mesmo tempo — todas elas com um detalhe em comum: atuação na área pública e um estilo de vida nada compatível com a imagem clássica de militância —, a própria legislação que facilitou a vida dessas entidades passou a atrair, além de agentes políticos e executivos especializados, também o interesse real das organizações criminosas. O tema vai balançar gabinetes da Câmara Municipal.