ENTRELINHAS DOS PODERES

, atualizado

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PUBLIMETRIA INCONSISTENTE

Em Ribeirão, o rigor administrativo parece variar conforme o endereço e o interesse político. No Parque de Exposições, a Prefeitura trabalha com chamamento público e busca interessados, alinhada às boas práticas do controle externo; já na permuta com o Colégio Marista, conduzida pelo vice Maraca, a lógica muda, sem concorrência nem disputa, como se a solução fosse repassar aos vereadores a responsabilidade por uma negociação que começa justamente sem mercado. Se é tão vantajosa, por que não submeter à concorrência? Isso sem falar da Cultura.

FARPAS PEDAGÓGICAS

A troca de críticas entre o prefeito Ricardo Silva e o ex-prefeito Duarte Nogueira, ambos do PSD, revela mais do que divergências sobre a educação em Ribeirão: sinaliza um possível embate futuro. Entre acusações de herança negativa e ironias sobre desempenho, os dois já ensaiam lados opostos para 2028 — com um recado claro no meio do caminho: entregar uma educação melhor do que a recebida.

IRONIA LINGUÍSTICA

O governo Duarte Nogueira sempre que pode reforça a importância do "inglês de Cambridge" na rede municipal como um dos destaques da educação. Contudo, na última década, Ribeirão Preto vem amargando posições entre as últimas colocadas do Estado de São Paulo quando o tema é português e matemática — um contraste que diz muito mais do que qualquer discurso.

CONSOLO

A ex-secretária de Infraestrutura de Ribeirão, Juliana Ogawa, que não teve uma passagem bem-sucedida pela pasta, agora vai assumir um alto posto no DER por indicação do MDB, partido ao qual é filiada. Para Ribeirão, a gestão pode ter deixado mais frustração do que resultado; já no partido, o desempenho dela parece ter sido bem mais valorizado.

RACHA...

A vereadora Judeti Zilli, do PT, perdeu uma peça do seu coletivo. O "co-vereador" Danilo Valentim, como se apresentava, teve sua exoneração publicada e já não faz mais parte oficialmente do gabinete desde o fim de março. Depois de sair da Câmara, Danilo voltou à rede municipal, mas não para sua antiga sede: passou por duas unidades escolares e, no meio político, é descrito como uma pessoa de difícil relacionamento — o que torna o desligamento ainda mais comentado. A vereadora Judeti justificou a saída como uma decisão do próprio Danilo, em razão, sobretudo, de prejuízos previdenciários por ele estar afastado do trabalho docente. Será?

TCHAU, COLEGA!

No caso das rachadinhas de Lincoln Fernandes (PL), o vereador tem até o dia 10 para se manifestar nas alegações finais e indicar provas a seu favor. Depois, a relatora Judeti Zilli terá mais 10 dias para fechar o relatório final e dizer ao plenário se recomenda condenação ou arquivamento do processo. Em processo político, o calendário anda rápido, mas a vontade de alguns costuma ser ainda mais veloz quando o assunto é encontrar um jeito elegante de dar tchau a quem hoje se tornou um peso para a Câmara.

RELAÇÃO EM XEQUE

Este colunista ouviu assessores parlamentares sobre o clima dos gabinetes em torno do possível relatório contrário ao vereador Lincoln. Na base, dois vereadores cogitam se abster; o restante tende a acompanhar o parecer da relatora, em nome do "respeito ao trabalho" da comissão. Quando o discurso se limita a "votar no relatório", sem usar as palavras "condenar" ou "absolver", é sinal típico de que muitos querem, antes de tudo, passar pano.

NO FIO DO BIGODE

O vereador Roger Ronan da Silva, o Bigodini (MDB), tem a volta à Câmara de Ribeirão Preto programada para a próxima semana, com presença esperada já na sessão de segunda-feira (11). Desde que se afastou, ele nunca deixou de ser assunto entre os corredores. Na volta, o vereador terá de lidar com comentários sobre uma assessora que permaneceu no gabinete do suplente Robson Vieira e sobre a origem e o pagamento do veículo sinistrado que foi locado pelo vereador.