Apreensão do Papa - atentado ao Hagara - defesa do Lincoln - e o custo da viagem de Jean Corauci

, atualizado

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cartunista @jossubarroso
cartunista @jossubarroso - Foto: Imagem pág. 2 Jornal Ribeirão
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LINCOLN RENUNCIOU
O vereador Lincoln Fernandes parece ter renunciado a defesa na audiência da comissão processante que ouviu a sua versão dos fatos atribuído a ele de prática de rachadinha. O tempo que durou a audiência, Lincoln não enfrentou as evidencias apenas atribuiu o processo a uma perseguição política ex-presidente da Câmara Isaac Antunes com um assessor dele. Advogados do vereador tentaram na Justiça por três vezes, sem sucesso, interromper o processo alegando nulidade no decorrer do processo e incompetência da atual comissão.

APREENSÃO DO PAPA
O ex-vereador Marcos Papa é formalmente investigado no bojo da Operação Contaminatio, esquema de infiltração em prefeituras paulistas voltado à lavagem de dinheiro do PCC por meio da fintech 4TBank, cuja a liderança do grupo situado na região de Santo André. Em 2015, o então vereador Papa chegou a travar obras do PAC no Governo Dárcy Vera, uma das empresas que fundamentou questionamento foi apontada como ‘fantasma’ com sede em Santo André. Obviamente que os dois fatos não se combinam, mas levantou indagações e crença de castigo divino ao Papa.

FAST FOOD
Hagara do “Pão de Queijo” construiu sua relevância dentro de uma lógica simples e eficiente: vídeos curtos, tom alto, agressivo e ataque direto ao que chama de sistema. A fórmula lhe rendeu milhares de seguidores e o colocou como figura ativa na arena política. Ao mesmo tempo, o inseriu em uma dinâmica de conflito permanente, onde a visibilidade depende da tensão e da divisão. Ao trilhar o caminho sensível da polarização, encontrou engajamento — mas também o custo inevitável dessa escolha.

MANIQUEÍSMO DIALÉTICO
Ao esgarçar um tema sensível com abordagem dura e rasa, ampliou o alcance de debates ao protagonizar o episódio envolvendo escola, comunidade e uma aluna trans. O efeito nunca é apenas engajamento: trouxe para si a reação institucional, com intervenção do MPE-SP e do Judiciário, além da reação social de grupos diretamente atingidos. Em contextos polarizados, o discurso não termina na fala — ele reverbera, mobiliza e frequentemente radicaliza percepções. O conflito deixa de ser retórico e passa a ocupar o campo concreto.

SEM CONTROLE
O atentado sofrido por Hagara não pode ser relativizado ou justificado sob nenhuma hipótese. Ainda assim, expõe um ponto central da psicologia social da polarização: quem alimenta continuamente o embate também se torna vulnerável a ele. Nesse ambiente, não há controle pleno sobre as reações desencadeadas. Hagara não é vítima e deixa de ser apenas locutor e se torna o participe que sofre as duras consequências desse sistema que retroalimenta de uma lógica que transforma adversários em inimigos. E, nesse jogo, as consequências — inclusive as mais graves — passam a fazer parte do risco estrutural.

AVESSO DO ÓBVIO
A multa registrada a cerca de 300 km de Ribeirão Preto, no veículo oficial utilizado pelo vereador Jean Corauci em pleno recesso de fim de ano, expôs mais do que um deslocamento irregular: revelou inconsistências em planilhas que indicavam o veículo em local diverso, onde deveria estar no estacionamento da Câmara. O foco, agora, se desloca para os bastidores: quem vazou o documento? A divulgação por um canal que não levanta suspeitas imediatas sugere intencionalidade. A pergunta do gabinete é direta — a quem interessa a desmoralização do vereador?

CHESTER SALGADO
Fã de Ayrton Senna, o vereador Jean Corauci recebeu do próprio gabinete um levantamento dos custos de fim de ano com o veículo oficial: cerca de R$ 1.500 em multas, oito dias de utilização (locação) e combustível, ainda a pontuação na CNH. O ressarcimento deve ocorrer em breve, mas com valores possivelmente mais modestos do que os inicialmente apurados, enquanto o impacto dos pontos na carteira tende a ser diluído.

“RETORNO” CONSIGNADO
O vereador Bigodini, ensaia reposicionar sua imagem ao priorizar pautas técnicas em seu retorno. No entanto, agora, surgem questionamentos sobre a forma de pagamento do veículo sinistrado alugado, pago pelo vereador. A hipótese que se levantou que foi por meio de um empréstimo consignado — em tempos de rachadinha – o que abre outra dúvida: consignado por qual fonte, se o vereador não recebeu salário nos últimos seis meses?