A vez de Daniel Gobbi, agora vitrine
Daniel Gobbi, tecnicamente, sem partido, "independente", tem nove meses para gerar um filho para chamar de seu
, atualizado
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Daniel Gobbi (PP), eleito presidente da Câmara Municipal de Ribeirão Preto em 1º de abril de 2026, não havia se programado para o cargo, que caiu em seu colo após a renúncia de Isaac Antunes (PL), pressionado pelo Ministério Público por terceiro mandato consecutivo, contrariando jurisprudência do STF. Advogado, empresário e ex-vice-prefeito e secretário de Planejamento na gestão Duarte Nogueira (2021-2024), Gobbi foi indicado, encaminhado e defendido pelo próprio Antunes e assumiu com 19 votos em sessão suplementar, prometendo diálogo e pacificação em meio a turbulências. Apesar da aparente unanimidade na base governista, o MDB de Matheus Moreno – maior bancada, com cinco vereadores – articulou reivindicação interna pelo posto, e rumores apontam Moreno pode assumir a Secretaria de Infraestrutura, junto com uma agente da Secretaria de Obras, ligada ao MDB, como prêmio, aliviando tensões iniciais para Gobbi, do contrário, Matheus será um ponto de cuidado.
A base aliada, herança do governo Nogueira e agora sob Ricardo Silva, atravessa sua crise mais aguda, com briga pessoal entre Lincoln Fernandes (PL) e Antunes no centro das atenções, além de processo de cassação contra Lincoln por "rachadinha" – apensado a inquérito policial e investigação do MPE-SP –, com risco de novo pedido por uso irregular de veículo oficial, viagens estranhas ao município de Jaboticabal na madrugada, ecoando histórico como o de vereadora petista e ações judiciais contra outros, parlamentares. Suspeitas de rachadinha, desvios de veículos e uso eleitoral de gabinetes pairam sobre mais vereadores, bem longe de isoladas ao caso de Lincoln Fernandes. Rangel Scandiuzzi (PSD) descolou da base, frustrado com o Executivo de seu partido, optando por independência, uma ovelha quase desgarrada, enquanto Gobbi deve recepcionar o afastado Roger Ronan da Silva (MDB), o Bigodini, em maio deste ano, por embriaguez ao volante e fraude processual após acidente em 2025.
Nesse caldeirão, Gobbi tem "gestação de 9 meses" até dezembro – tempo de parir um filho e, no ano seguinte, criá-lo –, mas acordos políticos já alinham a presidência futura ao MDB de Moreno e sua bancada dominante. Obviamente que Gobbi não quer “gerar o filho” para outro criar. Para contornar e mirar reeleição em 2027, ele precisa trabalhar duro, flexível sem quebrar a espinha, domando ânsias de "parlamentares mimados e birrentos", via melhor convivência, “dele” com o Executivo – historicamente com conflitos de posições – e apoio possível à candidatura de Baleia Rossi (MDB). Crucial para convencimento popular e apoio do próprio eleitorado, que o elegeu com 3.026 votos em 2024, é avançar em transparência real, rompendo com o "piso abaixo do tapete" arraigada: expor esquemas de viagens parlamentares (licenças frequentes, com custos públicos), lista pública de assessores em comissões administrativas – foco paralelo às rachadinhas – e regras claras para veículos oficiais, combatendo desvios como os questionados judicialmente. Historicamente lentas e corporativistas, as reações a irregularidades demandam disposição para escrutínio de decisões, contratos e rotinas, fortalecendo fiscalização via Observatório de Indicadores e suporte técnico.
Igualmente vital é equilibrar relação com servidores, respeitando expertise sem capturas corporativas ou paralisações: ética no labor funcional, sem privilégios, desvios ou influência excessiva, valorizando quem produz. Gobbi prega isenção total – "presidente de todos" –, urbanidade e legado de cidade digna, mas o teste será concreto: pacificar sem conivência, fiscalizar Executivo (como em PPPs falhas de iluminação ou trocas de terrenos), pauta dele e reconquistar credibilidade popular na Casa de Leis. Se implantações vierem, seu mandato curto pode virar trampolim; caso contrário, vira mais uma página de instabilidade na Câmara.