Alckmin polido em Ribeirão

, atualizado

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Em Ribeirão, Geraldo Alckmin (PSB) tratou o nome de Lula (PT) como se fosse senha de acesso ao futuro político: repetiu o presidente como um mantra, sempre "amigo", sempre parceiro. Ao ser correspondido por um petista que o saudou como "o melhor dos amigos do PT", o vice escancarou o quanto está integrado ao projeto lulista, sem qualquer constrangimento em relação à origem tucana.

MAGNÍFICA AUSÊNCIA

Antes do discurso, um cochicho no ouvido de Alckmin — que estava com nomes anotados antes do protocolo — entregou uma ausência: "Suely Vilela não veio!". A secretária de Inovação e Desenvolvimento de Ribeirão preferiu prestigiar a posse do reitor da USP, Aluísio Augusto Cotrim, sinalizando que sua bússola política hoje aponta mais para o universo acadêmico do que para a política regional e partidária. A pasta de Inovação e Desenvolvimento ficou alheia ao debate político do evento, conduzido por Alckmin (PSD), Kassab (PSD) ou Chinaglia (PT). Em tempo: ela não mandou representante.

MARKETING PRESIDENCIAL

Alckmin ainda reservou tempo para um meeting remoto com jornalistas nacionais, organizado por sua assessoria, antes de deixar a cidade - o Jornal Ribeirão foi o único veículo local a participar do evento. Nas conversas de bastidor, discutia-se a leitura de que o vice vai "onde Lula apontar" — e que o alvo, neste momento, seria o Senado Federal, abrindo espaço para que Baleia Rossi (MDB) se torne o novo vice na chapa de Lula e para que Simone Tebet seja lançada ao governo de São Paulo. Tudo ainda no terreno da especulação, mas ninguém faz esse tipo de aposta à toa.

RICARDINHO NO COLETE

Quem também marcou presença política foi o prefeito Ricardo Silva (PSD), que foi ao aeroporto Leite Lopes recepcionar o vice-presidente mesmo se recuperando de cirurgia. Sentado em uma poltrona improvisada, vestido de preto e visivelmente arqueado, deixou transparecer o incômodo com o colete pós-operatório sob a camisa. Ricardo Silva voltou a lembrar da liberação de recursos para a mobilidade Leste-Oeste de Ribeirão.

AINDA ESTOU AQUI

Na abertura do Conexão APM, evento ocorrido em Ribeirão e que reuniu alcaides, prefeitos do interior paulista não economizaram nas queixas contra o distanciamento do governo Tarcísio de Freitas (REP). Kassab, no check-out do núcleo do poder estadual, reagiu com ironia: "ainda estou aqui". Não defendeu o governador, não amortizou as críticas e acabou reforçando a sensação de adeus ao projeto Tarcísio. Agora, cada um com seus objetivos.

POLICE NETO

Enquanto isso, o braço político de Kassab, Police Neto, apareceu no gabinete do vereador Daniel Gobbi (PP). Segundo assessores, falaram sobre conjuntura local, eleições para o Congresso e a Alesp, além de amenidades. Gobbi não é candidato em 2026. Extraoficialmente, para quem sabe ler, um pingo é letra: Kassab mapeia território e calibra onde seu grupo vai investir capital eleitoral no próximo pleito.

PARLASUL

O deputado federal Arlindo Chinaglia, presidente do Parlasul, esteve em Ribeirão Preto, na sede do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Álcool, Químicas e Farmacêuticas. Entre vários pontos, detalhou bastidores de décadas de atuação parlamentar e o legado de Lula na construção do acordo internacional.

CONVENIÊNCIA REGIMENTAL

A "pobrice de Rodini" foi tratada com frieza pelo presidente da Câmara, que preferiu se abrigar no discurso de seguir o regimento e liberar a base e o PL para votarem "conforme a consciência", desde que alinhados ao partido. Na prática, o recado é cifrado: não haverá afago para Rodini, conservador e adversário direto de Isaac no campo da direita pela disputa de uma vaga na Alesp, mas também não haverá confronto explícito. A régua é o interesse eleitoral de 2026.