As 13 profecias de Jair Bolsonaro que viraram maldição

Maldição típica das tumbas egípcia cai sobre o clã Bolsonaro" família reage com alegações de perseguição

, atualizado

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Jair Bolsonaro em video
Jair Bolsonaro em video "a papuda te espera", "boa estadia lá", destaque prisão de estado maior onde ex-presidente cumpre pena - Foto: Imagem/Composição Jornal Ribeirão
Jair Bolsonaro em video "a papuda te espera", "boa estadia lá", destaque prisão de estado maior onde ex-presidente cumpre pena - Foto: Imagem/Composição Jornal Ribeirão

Há destinos que parecem escritos não em estrelas, mas em bocas que não sabem calar. Jair Bolsonaro ergueu sua carreira sobre frases de efeito, deboches, maldições lançadas ao vento como se o mundo fosse um palco de humilhações permanentes. Agora, esse mesmo vento retorna, trazendo de volta cada palavra, como se o universo tivesse apenas esperado o momento certo para cobrar a conta. A conta chegou, cobrando tudo que julgou.

1. A Papuda que “esperava”
“A Papuda te espera, boa estadia lá”, disse ele um dia, com a leveza cruel de quem se acredita imune ao próprio veneno. Anos depois, a geografia se fecha sobre si mesma: o ex-presidente, condenado a mais de 27 anos, cumpre pena no complexo da Papuda, em Brasília, em uma sala especial apelidada de “Papudinha”, mas ainda assim dentro do mesmo universo carcerário que ele usava como ameaça. A profecia não errou o endereço; só errou o destinatário.

2. “Eu nunca serei preso”
“Eu nunca serei preso!" Como é que é? Repetia, como quem faz um pacto com uma espécie de deus particular, feito de farda, arma e aplauso. Agora, o homem que se imaginava inalcançável pela lei experimenta o tempo contado em trancas, cercas, revista, rotina rígida e súplicas negadas de prisão domiciliar “humanitária”. Se um dia a frase soou como desafio ao sistema, hoje soa apenas como um registro de arrogância vencida pelos autos, pelos votos dos ministros e pela porta pesada de ferro que se fecha.

3. Imbrochável, imorrível, incomível
“Imbrochável, imorrível, incomível”: o tripé tosco de um mito de palanque, sustentado à base de fanfarronice e masculinidade performática. O tempo, porém, não respeitou suas bravatas. Longe de casa, cercado por grades, submetido a cirurgias, exames, laudos e noites mal dormidas, sem privacidade e visita íntima. Bolsonaro é um "brocha" já não encarna o personagem que berrava no microfone, mas um corpo cansado, enfermo, dependente de terceiros. A caricatura de homem indestrutível se dissolve na realidade de um paciente crônico, monitorado, frágil.

4. O desejo de câncer e o retorno pela pele
Houve um momento em que ele desejou que Dilma Rousseff morresse de câncer, normalizando a ideia de que a doença poderia ser usada como munição política. Anos depois, o diagnóstico de câncer de pele recai sobre o próprio corpo: carcinoma de células escamosas, lesões retiradas, necessidade de acompanhamento permanente. Não se trata de celebrar a dor alheia, mas de constatar a simetria sombria: quem transformou a doença em insulto agora convive com o nome técnico da enfermidade nos boletins médicos.

5. Ustra, a tortura e o barulho do ar
Ao exaltar o torturador Brilhante Ustra, Bolsonaro escolheu se alinhar ao lado mais escuro da história brasileira, o lado que chama dor de “método” e sofrimento de “necessidade”. Hoje, qualquer desconforto na cela, qualquer ruído incômodo, qualquer restrição é narrada por aliados como uma quase-tortura. O homem que romantizou o suplício alheio agora se vê na posição de pedir compaixão, alegando condições indignas e problemas de saúde, como se a palavra “tortura” só ganhasse gravidade quando bate na própria porta.

6. A zombaria da falta de ar e o castigo em soluços
No auge da pandemia e em outros episódios, Bolsonaro imitou pessoas com falta de ar, reduzindo o desespero de quem lutava por um sopro de vida a piada de palanque. Hoje, seu corpo responde com crises persistentes de soluços, internações, procedimentos médicos para tentar bloquear o nervo frênico, noites inteiras marcadas por espasmos e desconforto. O deboche com o fôlego alheio retorna sob a forma de uma respiração própria inquieta, ruidosa, vigiada.

7. O fim das “saidinhas” e o homem sem saída
O discurso era simples: endurecer penas, acabar com “saidinhas”, fazer “bandido apodrecer na cadeia”, sem espaço para nuances ou humanidade. Hoje, o ex-presidente sente na pele a lógica que ajudou a inflamar: dias iguais, pouca perspectiva, pedidos sucessivos de flexibilização da pena e de prisão domiciliar, todos submetidos ao crivo de um juiz que ele próprio demonizou em praça pública. A retórica do encarceramento eterno encontra, agora, o rosto exato de quem a propagou.

8. Desdém pelas mulheres
“Eu tenho cinco filhos. Quatro são homens, depois de uma fraquejada veio a mulher”; “não vou estuprar você porque você não merece”. Frases que zombavam da feminilidade, da filha caçula e pintavam “clima” com meninas de 14 anos. Agora, dependente de uma mulher — sua esposa para levar comida ao presídio — sem visitas íntimas, ele prova a fragilidade da própria bravata machista.

9. “Chega de mi-mi-mi”
“Chega de frescura, de mi-mi-mi. Vão ficar chorando até quando?”, dizia em meio à pandemia, ridicularizando o sofrimento alheio. Hoje, é ele e sua família que clamam por “humanidade”, com queixas sobre condições carcerárias, saúde e visitas restritas — o mi-mi-mi que ele tanto desprezava agora ecoa de sua própria cela.

10. Combate aos Direitos Humanos
Chamava direitos humanos de “esterco da vagabundagem”, atacava ONGs e vítimas da ditadura. Agora, preso e enfermo, invoca os mesmos direitos para pedir prisão domiciliar, condições dignas e compaixão judicial — o discurso anti-DH vira ferramenta política de sobrevivência.

11. “Ir ao banheiro dia sim, dia não”
Sugeria, em tom irônico, ir ao banheiro “dia sim, dia não” para reduzir poluição. Bolsonaro sofre constantemente de constipação severa intestinal causando empedrando fezes necessitando de intervenção médica para lavagem de desobstrução intestinal — realiza a profecia grotesca que ele mesmo profetizou.

12. “E daí? Lamento. Eu sou Messias, mas não faço milagre
”Minimizava mortes na pandemia com “E daí?”, dizendo ser Messias sem milagres. Agora, condenado e isolado, sem salvação política ou física imediata, encarna o Messias caído que prometeu proteção aos outros, mas não a si mesmo.

13. "Não sou coveiro!"... o que vem disso?

Tudo o que Jair Bolsonaro lançou ao mundo — o riso diante da dor, o desprezo pela doença, o elogio à tortura, a idolatria da prisão como destino dos “inimigos” — parece ter encontrado um caminho de volta até ele. Não é preciso crer em milagre ou em carma para enxergar a cena: um ex-presidente, condenado, enfermo, sitiado pelas próprias palavras, rodeado por laudos, decisões judiciais e cercas com concertinas altas.

Se há algo de divino nisso, talvez esteja na ironia: quem zombou da fragilidade humana agora convive diariamente com a própria. Quem prometeu apodrecer “bandidos” na cadeia assiste, a cada dia, ao avanço silencioso de sua própria agonia — política, física e moral.