Ribeirão tem "banquete de votos" para o Congresso na disputa de 2026

Cidade vive "apogeu de votos" para Câmara Federal com grandes ausências na disputa de 2026

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Direitos autorais: Senado Federal do Brasil
Direitos autorais: Senado Federal do Brasil - Foto: Foto Congresso Naciona Crédito: Roque de Sá/Agência Senado
Direitos autorais: Senado Federal do Brasil - Foto: Foto Congresso Naciona Crédito: Roque de Sá/Agência Senado

Ribeirão Preto entra em 2026 como um dos palcos eleitorais mais observados do interior paulista. A eleição para a Câmara dos Deputados promete um rearranjo profundo nas bases políticas regionais, impulsionado por um fenômeno inédito: um verdadeiro “banquete de votos” deixado por nomes influentes que não estarão nas urnas. Estima-se que mais de 100 mil votos estejam em disputa apenas na cidade, resultado direto da ausência de líderes que dominaram a votação de 2022.

Deputado federal mais votado da cidade em 2022, com 28 mil votos, Ricardo Silva se elegeu prefeito e está fora da disputa pela reeleição. Votada por 15 mil ribeirão-pretanos, Carla Zambelli (PL) está presa na Itália, aguardando extradição para o Brasil, e está inelegível após condenação criminal no STF (Supremo Tribunal Federal). Dono de 13 mil votos na cidade, Ricardo Salles é cotado para disputar o Senado, enquanto Eduardo Bolsonaro (9 mil) foi para os Estados Unidos sem previsão de volta ao País.

Na dianteira por essa parcela do eleitorado aparecem Baleia Rossi (MDB) e Duarte Nogueira (PSD), ambos com trajetória consolidada na cidade e capital político expressivo em Brasília e no Estado. Baleia Rossi é presidente nacional do MDB e autor da Reforma Fiscal, uma das principais pautas econômicas aprovadas no Congresso Nacional em 2025. O deputado tem intensificado o trabalho de base em Ribeirão Preto e nas cidades vizinhas, com visitas frequentes e ampliação de seu grupo municipal, contudo o espectro é no estado todo. Sua atuação tem se pautado por um discurso moderado, voltado à estabilidade econômica, simplificação tributária e fortalecimento de municípios, temas que o consolidam no centro político.

Já Duarte Nogueira (PSD) retorna à disputa após encerrar dois mandatos consecutivos como prefeito de Ribeirão Preto. O ex-tucano tem investido fortemente na aproximação com as prefeituras da região metropolitana e recuperado sua tradicional base no agronegócio e no empresariado do interior paulista. O ex-prefeito busca projetar-se como representante da agenda produtiva regional, defendendo incentivos à inovação agrícola e logística. Sua candidatura, ancorada em alianças com o PSD estadual e o setor agropecuário, sinaliza uma reconstrução do seu espaço natural no Congresso.

Com Baleia Rossi focando o eleitorado do centro e do MDB histórico, e Duarte Nogueira retomando a bandeira liberal do desenvolvimento regional, ambos tendem a dividir o protagonismo no espectro moderado, numa disputa direta pela herança dos votos deixados por Ricardo Silva, hoje fora da disputa, prefeito de Ribeirão e Ricardo Salles, pré candidato ao Senado.

Marco Aurélio: o calouro perfeitinho em teste
Em meio a esse cenário, o empresário Marco Aurélio, natural de Cravinhos, surge como novidade e contraponto às lideranças tradicionais. Derrotado por margem mínima na eleição municipal de 2024, está desafiado por consolidar o capital político na eleição 2024 ou simplesmente emergiu pela rejeição de seus candidatos direto do PSD e PT. Até por isso subiu o tom do discurso de oposição ao atual prefeito Ricardo Silva (PSD), de quem se tornou um dos principais críticos.

Marco Aurélio vem adotando uma postura de combate à política tradicional e à gestão que considera excessivamente centralizadora, levantando a bandeira da moralidade pública, ética empresarial e renovação política. Com forte narrativa para chamar atenção do empresariado médio e aos eleitores céticos diante dos partidos de centro, o calouro tenta converter o capital da polarização local em uma candidatura federal, mirando o espaço que se abre com a dispersão do voto conservador. 

 

OS 10 MAIS VOTADOS EM 2022
Ranking na zona eleitoral de Ribeirão Preto para deputado federal em 2022 (TSE):
- 1º Ricardo Silva (PSD): 28.537 votos
- 2º Baleia Rossi (MDB): 19.977 votos
- 3º Carla Zambelli (PL): 15.877 votos
- 4º Ricardo Salles (PL): 13.665 votos
- 5º Guilherme Boulos (PSOL): 11.611 votos
- 6º Isaac Antunes (PL): 11.266 votos
- 7º Eduardo Bolsonaro (PL): 9.260 votos
- 8º Marcos Papa (PODEMOS): 8.627 votos
- 9º Arnaldo Jardim (Cidadania): 1.872 votos (em exercício e candidato à reeleição)
- 10º Arlindo Chinaglia (PT): 463 votos; natural de Serra Azul e também em mandato
*Adilson Barroso (PL), de Pontal, completa o grupo regional com 387 votos em 2022 e presença atual na Câmara após assumir a vaga deixada por Zambelli.

O vácuo deixado por bolsonaristas

No campo bolsonarista, o esvaziamento é ainda mais profundo. Carla Zambelli (PL), terceira mais votada na cidade em 2022, renunciou ao mandato após ser presa na Itália e condenada pelo STF, e Eduardo Bolsonaro (PL) teve o mandato cassado pela Câmara dos Deputados em dezembro de 2025. O ex-ministro Ricardo Salles (PL) prepara-se para disputar o Senado, e Isaac Antunes (PL) concorrerá à Assembleia Legislativa. Juntos, esses quatro nomes representam mais de 50 mil votos locais, agora livres no mercado eleitoral.

Boulos e o redirecionamento da esquerda
Na esquerda, Guilherme Boulos (PSOL) — que obteve 11.611 votos em Ribeirão Preto — assumiu uma vaga no ministério do presidente Lula (PT) e tem participação incerta nas eleições deste ano. Sua ausência abre caminho para a reorganização de partidos progressistas, em especial o PT, que aposta em Arlindo Chinaglia (PT), natural de Serra Azul, como liderança regional. Chinaglia mantém vínculo ativo com o entorno metropolitano e tem histórico de pouca, porém constante votação na cidade, agora reforçado por apoios locais.
Rodrigo Leone, um jornalista com experiência como articulador político local, anunciou sua entrada na disputa por uma cadeira no Congresso Nacional, representando o Partido dos Trabalhadores (PT). Sua candidatura visa fortalecer a presença do partido na região, oferecendo uma nova opção ao eleitorado de esquerda em um cenário de reconfiguração política.

Reconfiguração do mapa eleitoral


Ao todo, os nomes que não disputarão a Câmara Federal em 2026 concentram cerca de 108 mil votos da eleição anterior:


- Ricardo Silva: 28 mil
- Carla Zambelli: 15 mil
- Ricardo Salles: 13 mil
- Guilherme Boulos: 11 mil
- Isaac Antunes: 11 mil
- Eduardo Bolsonaro: 9 mil
- Marcos Papa: 8 mil
- Arnaldo Jardim; 1,8 mil

A soma equivale a quase 40% do eleitorado ativo da cidade em 2022, tornando Ribeirão Preto um campo aberto para novas lideranças. MDB e PSD largam na frente no centro e centro-direita, enquanto PT e PSOL reorganizam a esquerda, e a direita populista procura novos rostos após o colapso do PL bolsonarista.

O que dizem os pré-candidatos

Antônio Duarte Nogueira Jr (PSD)
O Brasil real não está nos gabinetes de Brasília, ele pulsa nas nossas cidades. É nelas que as pessoas buscam saúde, educação e trabalho. No entanto, vivemos uma injustiça histórica: enquanto o governo federal retém 50% de tudo o que é arrecadado, os municípios, que carregam o peso do dia a dia, ficam com apenas 22%. Essa concentração de poder e dinheiro na capital federal é o que trava o nosso desenvolvimento. Minha trajetória em Ribeirão Preto provou que a gestão técnica e o apoio ao agro são os motores da prosperidade. Fizemos da nossa cidade uma das três melhores do país, local de desenvolvimento socioeconômico. Mas agora, o desafio é maior. Defender o municipalismo é defender que o imposto pago pelo cidadão retorne para onde ele vive. Precisamos de uma representação que entenda de gestão pública, que tenha coragem para combater a corrupção que destrói resultados e que garanta segurança jurídica para quem produz. Minha bandeira é a descentralização: menos Brasília e mais Brasil. É hora de levar à Câmara Federal a eficiência que testamos e aprovamos na prática, construindo um país onde as oportunidades cheguem a cada uma das cidades brasileiras.

Baleia Rossi (MDB)
A política, para mim, continua sendo um instrumento de transformação real na vida das pessoas, especialmente nos municípios, onde as demandas chegam primeiro e com mais urgência. Meu foco para 2026 é a pré-candidatura à reeleição para a Câmara dos Deputados. Quero seguir fazendo o que sempre pautou meu mandato: trabalhar próximo das cidades, apoiar Santas Casas e entidades filantrópicas e ajudar prefeitos e vereadores a tirarem projetos do papel. É isso que dá sentido à vida pública e gera resultados concretos. Em Ribeirão Preto, articulei a liberação de R$ 1,1 bilhão no governo federal para a implantação da Via Leste-Oeste. Uma obra que vai mudar para melhor a vida de 340 mil pessoas, com área verde, pista de caminhada e ciclismo e 200 casas populares para famílias em situação de ocupação. Um trabalho feito em parceria com o prefeito Ricardo Silva, o vice-prefeito Alessandro Maraca e com apoio do deputado estadual Léo Oliveira. Seguimos atentos aos grandes debates nacionais. A aprovação da Reforma Tributária, após mais de três décadas de discussão, foi um marco histórico, que vai fortalecer os municípios, estimular o desenvolvimento econômico, reduzir desigualdades e gerar emprego e renda. Em todas essas pautas, o MDB foi protagonista. Para 2026, estamos fortalecidos, com bons quadros, diálogo amplo e responsabilidade política. Em São Paulo, há um ambiente positivo para a construção de uma grande bancada comprometida com o desenvolvimento do estado e do país.

Marco Aurelio Martins de Sousa (Novo)
A grande expressão política conquistada em minha primeira disputa eleitoral para a prefeitura de Ribeirão Preto em 2024 com 49,87% dos votos válidos e 130.734 pessoas que acreditaram e votaram no candidato Marco Aurélio, atingindo a marca do 5º nome mais votado da história da cidade e também a convite do Partido Novo em 2025 como líder regional, desenvolvendo um trabalho de expansão partidária com 66 cidades da nossa região expandida, ampliando exponencialmente o nosso número adesões; faz com que as nossas expectativas para 2026, agora como pré-candidato a Deputado Federal sejam bem positivas! Acreditamos que haverá uma boa renovação no Congresso Nacional, aumentando ainda mais nossas chances de ocuparmos também mais uma das 70 cadeiras destinadas ao Estado de São Paulo em Brasília, para que assim possamos trazer maior representatividade ao povo de Ribeirão Preto e Região, que há muito tempo carece significativamente em número e em novos nomes de lideranças políticas, principalmente do espectro da Direita!

Rodrigo Leone (PT)
Vejo que 2026 será o ano de ouro da política nacional. A reeleição do presidente Lula irá consolidar avanços importantes de políticas sociais e de crescimento real do país. Durante o atual mandato de Lula, o Brasil mudou, é maior perante o mundo. A democracia brasileira se mostrou gigante e hoje temos o reconhecimento global de que somos uma democracia real, forte, viva e que nossa soberania é inegociável. Vejo 2026 como ano de novas e grandes lutas no campo democrático, o que torna ainda maior nosso orgulho de ser brasileiro. Espero que o Brasil cresça ainda mais. Aliás, tenho Fé nisso. Por isso, em 2025 retornei ao Partido dos Trabalhadores. Aguardo os procedimentos internos do partido para poder ter minha pré-candidatura a deputado federal. De qualquer forma, farei de 2026 um ano de trabalho e realizações na política, no jornalismo e na defesa dos interesses de nossa cidade. Quero desejar a todos um Feliz Ano Novo, de Paz, de reconquistas, junto daqueles que sempre amamos, mesmo que hoje ainda estejam um pouco distantes. Tenho certeza de que serão festas de "re-abraços", reencontros, retornos e não mais de despedidas.