Verdade ou ficção

A falta de realidade é o que mais comentam sobre a quarta temporada da série da Netflix: "Monstro - A História de Lizzie Borden".

, atualizado

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Talissa Berchieri
Talissa Berchieri - Foto: Divulgação
Talissa Berchieri - Foto: Divulgação

Para quem nunca ouviu falar, Lizzie é a emblemática moça acusada de matar pai e madrasta a machadadas em 1892, em Massachusetts.

Nas temporadas anteriores, "Monstro" já trouxe assassinos famosos como Jeffrey Dahmer, os irmãos Menendez e Ed Gein. Agora foi a vez de Lizzie Borden receber seu destaque nas mentes criativas de Ian Brennan e Ryan Murphy, o cara mais produtivo de Hollywood (reparem, quase tudo tem a direção, roteiro ou produção executiva dele).

Quem dá vida a Lizzie é Ella Beatty, enquanto Vicky Krieps vive Bridget Sullivan, empregada e principal aliada da protagonista. Charlie Hunnam é o empresário Andrew Borden, pai de Lizzie, e Rebecca Hall interpreta Abby Borden, madrasta da personagem. Cansada de receber maus-tratos, humilhações e nada de amor, Lizzie traça um plano junto com a empregada para assassinar pai e madrasta. Para quem busca fatos, os problemas já começam aí: nas evidências existentes sobre o crime, além de Lizzie ter sido inocentada, mesmo que fosse culpada, também não há comprovação da participação de Bridget, nem de envolvimento amoroso entre elas, como a série mostra. Esse é apenas uma de tantas outras passagens inventadas pelos criadores.

Para reforçar a fama de Lizzie, a série faz link com outro famoso caso, o de Aileen Wuornos, condenada por sete assassinatos entre 1989 e 1990. Mas o que um caso de 1892 tem a ver com um de 1989? Nada! Aí é que está: o roteiro mistura as duas histórias, colocando Aileen, interpretada por Sarah Paulson (sempre brilhante), como uma fã obcecada por Lizzie. O que as duas têm em comum, mesmo com quase 1 século de diferença, é justificar os crimes por decorrência das violências que sofreram, uma espécie de justiça com as próprias mãos.

E o mais surpreendente é que a mescla das histórias não fica ruim. Aliás, tem uma cena fantástica em que as personagens se cruzam, com texto dramático, que chega a emocionar. Isso prova que um dos principais méritos de Ryan Murphy é o cuidado com os detalhes.

Mesmo a crítica e parte do público diminuírem a série por se afastar da realidade, de longe é a melhor temporada de "Monstro". Ao se distanciar da verdade e acrescentar elementos ficcionais, Murphy deu mais ritmo à história.

Com estilo menos tenso do que as outras temporadas e quase trash em cenas de assassinato, "A História de Lizzie Borden" pode ser apenas um espetáculo sem realidade, mas que faz você querer ir até o fim.