Amizade merece mais que risadas

Recordista! Esse é o principal marketing da comédia nacional "Minha Melhor Amiga".

, atualizado

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Talissa Berchieri
Talissa Berchieri - Foto: Divulgação
Talissa Berchieri - Foto: Divulgação

Estrelada por Ingrid Guimarães e Mônica Martelli, o filme quebrou o recorde de maior circuito de estreia da história do audiovisual brasileiro. O longa chegou a 1.531 salas no primeiro dia.

As duas, separadamente, já são responsáveis por outros sucessos de bilheteria, como "Os Homens São de Marte...e é pra lá que eu vou", "Minha Vida em Marte" e as sequências de "De Pernas pro Ar". A questão é: bilheteria é sinônimo de qualidade? Não!

Quem assina a direção é Susana Garcia, irmã de Mônica e responsável por outros filmes da atriz e por "Minha Mãe é uma Peça 3", de Paulo Gustavo.

"Minha Melhor Amiga" traz duas amigas de uma vida inteira, Júlia e Clara, que viajam juntas a Portugal para visitar suas filhas adolescentes, que estão em intercâmbio. A personagem de Mônica, a Júlia, está solteira e em busca de novas aventuras amorosas, já Clara está presa em um casamento claramente falido, com perdão do trocadilho. E isso é o máximo de história que você terá nesse filme. O restante é uma coleção de esquetes de humor sobre as peripécias que a dupla vive. Algumas cenas são, sim, engraçadíssimas, mas não saem disso: trechos de comédia. O roteiro é preguiçoso e superficial, que tenta abordar vários temas e não se aprofunda em nada. Se você acompanha as duas atrizes, sabe que a maioria das histórias colocadas ali faz parte do repertório real da vida delas e já foram contadas inúmeras vezes em programas de TV. Por que não utilizar as experiências reais em um roteiro mais criativo?

Com interpretações medianas, parece apenas a tentativa de fazer um filme, na maioria das cenas. Os trechos mais engraçados são erros de gravação utilizados como parte da história. O tom da risada e as expressões mudam nesses momentos, o que deixa nítido que tudo poderia ser melhor, principalmente o texto. Algumas falas parecem monólogos de autoajuda, rasas, que não saem do senso comum. Se a ideia era trazer densidade, não conseguiram.

A amizade é uma relação complexa. Você permanece porque quer, porque ama e por ter a sorte de encontrar pessoas tão dispostas quanto você. Júlia e Clara parecem ser dispostas, vivem os melhores e piores momentos juntas, mas o filme te entrega apenas discurso sobre isso; não tem conflito real.

Parafraseando Fernanda, de "Minha Vida em Marte", eu escolho me apaixonar pelos meus amigos todos os dias, mas não escolho ver esse sentimento de maneira superficial. Arte é quando algo fica em você, mas "Minha Melhor Amiga" parece só buscar risos aleatórios.