A grandiosidade de Nolan transforma A Odisseia em um épico gelado

Homero, poeta da Grécia Antiga, escreveu duas das obras mais famosas e adaptadas para o cinema: Ilíada e Odisseia.

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Talissa Berchieri
Talissa Berchieri - Foto: Divulgação
Talissa Berchieri - Foto: Divulgação

Homero, poeta da Grécia Antiga, escreveu duas das obras mais famosas e adaptadas para o cinema: Ilíada e Odisseia. A primeira traz detalhes, não comprovados, sobre a Guerra de Troia. Já a segunda funciona como continuação e conta o longo retorno de Odisseu (ou Ulisses) para a sua terra, a ilha grega de Ítaca, após vencer a guerra.

Odisseu, vivido por Matt Damon, precisa atravessar mares dominados por deuses, criaturas mitológicas e ainda resistir ao canto das sereias. Tudo com a força de quem deseja reencontrar a esposa Penélope (Anne Hathaway) e o filho Telêmaco (Tom Holland).

Se já não bastassem os obstáculos, Odisseu ainda vive a culpa de toda a destruição causada pela guerra. Esse conflito parece ser o que mais atraiu Nolan para a adaptação do épico, já que o diretor adora trazer o arrependimento como mote dos seus protagonistas masculinos. Repare em Dom Cobb (A Origem) e J. Robert Oppenheimer (Oppenheimer).

Mas por que assistir a um filme de quase 3h sobre uma história que a maioria já conhece? Porque Nolan é um dos cineastas modernos que mais atrai público. Suas obras precisam, necessariamente, ser vistas na telona.

Ir assistir a A Odisseia é uma experiência cinematográfica para quem aprecia toda a tecnologia disponível para a sétima arte. O diretor é mestre em ousar e trazer técnicas nunca usadas para ter certeza de que você não saia igual da sessão.

É fato que a imponência do filme e os efeitos especiais, principalmente nas cenas com o Ciclope Polifemo e o ataque dos Lestrigões, são de brilhar os olhos, você fica imerso naquele universo. Porém, um universo frio, sem cor... literalmente. Nolan opta por uma paleta mais cinza e pastel para a maioria das cenas. Apesar de ser uma escolha acertada em grande parte dos takes, a opção reflete também o seu estilo de direção: muito visual, pouco coração.

Mesmo assim, vale ressaltar o elenco, que de todos os atores grandiosos, o destaque vai para o trabalho sensível de Elliot Page, como o soldado Sínon, que, em poucas cenas, prova que o filme tinha todo o potencial e história para ser mais emocional. E, claro, Zendaya, como Atena, que sempre me traz a sensação de privilégio por viver no mesmo século e testemunhar o trabalho dessa atriz.

Outro ponto forte é Samantha Morton, conhecida por personagens dos longas A Baleia e Minority Report - A Nova Lei. Ela impressiona com a interpretação de Circe, mulher que o grupo de Odisseu encontra em uma das paradas. Isso é tudo que direi, sem spoiler.

A Odisseia merece ser contemplado, mas é impossível não afirmar que Nolan esteve com a faca e o queijo na mão para fazer um épico mágico, mas optou por um épico técnico e, mais uma vez, ficou apenas nisso.