O dia seguinte às urnas: o que Ribeirão Preto precisa cobrar dos eleitos em sustentabilidade
A eleição acabou. Os eleitos para a Presidência da República, o Governo Estadual, o Senado, a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa se preparam para os próximos mandatos.
, atualizado
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Antes mesmo da posse, começa uma etapa decisiva: transformar compromissos de campanha em prioridades de governo e de atuação parlamentar. Para Ribeirão Preto e sua região, essa cobrança tem endereço certo. A cidade reúne condições para avançar na agenda de sustentabilidade, mas precisa de políticas públicas da União e do Estado, em articulação com os municípios, para transformar potencial em resultado. A cobrança começa agora.
Na esfera federal, uma das prioridades é avançar na regulamentação e implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, criado pela Lei nº 15.042/2024. Para a região, é essencial que esse processo ofereça segurança jurídica e critérios confiáveis para projetos de redução de emissões e remoção de carbono. O potencial ambiental precisa ser medido, verificado e convertido em oportunidades concretas, sem tratar toda prática sustentável como crédito automaticamente negociável. Além disso, a previsibilidade das regras da geração distribuída e o acesso ao financiamento do BNDES para a transição energética precisam integrar uma política contínua. Campanha não basta. Contam as decisões do Executivo, os votos no Congresso e a execução das políticas públicas.
Do governo estadual, Ribeirão Preto precisa de processos de licenciamento ambiental mais ágeis e transparentes para projetos de energia renovável, com rigor técnico e prazos previsíveis. Precisa também de ações de bioeconomia que reconheçam o interior paulista como protagonista e de assistência técnica acessível aos pequenos e médios produtores rurais interessados em geração própria ou em avaliar as possibilidades de acesso ao mercado livre de energia, conforme as regras federais. São Paulo tem estrutura para liderar a transição energética no Brasil. Essa capacidade precisa aparecer em políticas públicas com metas, orçamento e resultados verificáveis.
Na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional, o trabalho é menos visível, mas igualmente decisivo: são as comissões técnicas, os substitutivos, as emendas ao orçamento e a fiscalização que ajudam a determinar se uma boa lei vira política pública efetiva ou fica no papel. Deputados com atuação no interior paulista e senadores eleitos por São Paulo devem tratar a pauta energética e ambiental como uma agenda de desenvolvimento regional. Eficiência energética industrial, saneamento, mobilidade e resiliência climática são também pautas econômicas, com efeitos sobre a saúde, o emprego e a qualidade de vida.
A sustentabilidade não espera o meio do mandato para cobrar resultados. O temporal de 24 de julho expôs de forma brutal a vulnerabilidade de Ribeirão Preto e a urgência de preparar a cidade para eventos extremos. A região tem vocação, infraestrutura e capital humano para avançar na transição energética. Os eleitos precisam entregar condições regulatórias, financiamento e capacidade de execução para transformar esse potencial em realidade. A cobrança começa na transição e precisa acompanhar todo o mandato.
*Engenheiro elétrico, professor da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga. Especialista em energia sustentável.