A conta que a cidade não paga: o custo oculto da ineficiência energética municipal

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A energia elétrica representa uma despesa relevante para manter os serviços públicos de Ribeirão Preto funcionando. Iluminação pública, bombeamento de água do Aquífero Guarani, escolas, UBSs, paços administrativos, tudo isso consome energia e exige acompanhamento contínuo, com diagnósticos atualizados, metas claras de redução e resultados verificáveis. Apesar de iniciativas já divulgadas, como o projeto de migração da Saerp para o mercado livre de energia e a instalação de bancos de capacitores, é necessário avaliar sua abrangência, continuidade e os resultados efetivamente medidos. Tratar a conta de luz como custo fixo e inevitável, em vez de variável gerenciável, tem um preço. E quem paga é o contribuinte.

O exemplo mais visível é a iluminação pública. Municípios que modernizaram esse serviço registram reduções expressivas no consumo: Belo Horizonte informou queda de 55% após a modernização com telegestão e monitoramento remoto; Curitiba chegou a 61% na primeira fase. O LED reduz o consumo; a telegestão acrescenta capacidade de monitoramento e controlem ajuste de intensidade por horário, detecção automática de falhas, gestão ponto a ponto. A PPP de iluminação pública de Ribeirão prevê telegestão nas vias definidas contratualmente; cabe acompanhar a implantação efetiva, a disponibilidade do sistema e a economia obtida. Esse acompanhamento é responsabilidade da gestão e oportunidade de controle social pelo cidadão.
O segundo ponto crítico é o sistema de bombeamento. Como o abastecimento depende de poços profundos, a energia necessária à extração e à distribuição da água constitui um componente importante do custo do serviço. O diagnóstico deve avaliar o dimensionamento e o rendimento dos conjuntos motobomba, a viabilidade de inversores de frequência e a programação operacional, respeitando as exigências do abastecimento. Como consultor em sistemas elétricos, tenho visto esse tipo de avaliação revelar oportunidades relevantes de redução de custo em plantas industriais e públicas por toda a região, em alguns casos, com ajustes operacionais e intervenções de pequeno porte.
No plano nacional, o Procel GEM oferece referências metodológicas para a gestão energética municipal, enquanto o Procel Reluz apoia a modernização da iluminação pública por meio de chamadas públicas. Os resultados divulgados por Belo Horizonte e Curitiba mostram que a modernização da iluminação pública pode reduzir o consumo de energia e os gastos associados ao serviço. A revisão de 2023 da diretiva de eficiência energética da União Europeia ampliou as exigências sobre o setor público, incluindo metas de redução anual de consumo e obrigações de renovação de edifícios públicos.
A ineficiência energética municipal não é fatalidade, é escolha. E toda escolha tem responsáveis. O que se pode exigir de Ribeirão Preto não é perfeição imediata, mas transparência: diagnóstico atualizado do consumo por serviço, metas públicas de redução e resultados verificáveis. Para uma cidade que quer ser referência em sustentabilidade, esse é o ponto de partida mais honesto e mais urgente.

*Engenheiro elétrico, professor da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga. Especialista em energia sustentável