Agrishow 2026: a fronteira final da autonomia energética no campo
Ribeirão Preto reafirmou, na última semana, sua posição como o epicentro da inovação para o agronegócio global.
, atualizado
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Mas quem percorre as avenidas da Agrishow 2026 percebe que o foco já não está apenas na mecânica pesada; o grande salto desta edição é a consolidação da independência energética do produtor rural. Estamos testemunhando a transição do agro como um consumidor de insumos para um ecossistema autossuficiente e descarbonizado.
O lançamento de programas integrados de monitoramento e combate a incêndios pelo governo paulista abre esta edição com uma mensagem clara: a segurança climática é a nova base da competitividade. Em uma região onde a biomassa é um ativo valioso, a prevenção inteligente, unindo dados de satélite e ação coordenada em rodovias, protege não apenas a safra, mas a infraestrutura que sustenta o PIB nacional.
No campo das máquinas, o impacto é visível na eletrificação e no uso de combustíveis alternativos. O destaque fica para o avanço dos tratores movidos a biometano e as soluções de hidrogênio renovável, que transformam o resíduo das usinas do nosso entorno em combustível de alta performance. É a engenharia aplicada para fechar o ciclo da economia circular: o que antes era passivo ambiental hoje movimenta frotas, reduzindo drasticamente a dependência do diesel importado e as emissões de gases de efeito estufa.
Além disso, a ciência valida o que o interior paulista já pratica. Dados robustos apresentados hoje sobre o sequestro de carbono na citricultura e na cafeicultura mostram que Ribeirão Preto lidera um modelo de produção que retira mais carbono da atmosfera do que emite. Esse reconhecimento é o passaporte definitivo para o mercado global de créditos de carbono, permitindo que o produtor local monetize sua eficiência ambiental.
Para quem atua na interface entre a academia e o setor produtivo, as lições desta feira são profundas. A digitalização total da lavoura, com máquinas que geram mapas de produtividade e consumo em tempo real, exige uma nova infraestrutura de conectividade e gestão de dados. Ribeirão Preto não está apenas vendendo máquinas; está exportando um modelo de desenvolvimento onde a tecnologia, a preservação do solo e a eficiência energética convergem para garantir a segurança alimentar do planeta com respeito absoluto aos limites da natureza.
*Engenheiro elétrico, professor da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga. Especialista em energia sustentável