A liberdade de escolha chega ao comércio: o novo mercado de energia em Ribeirão
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O ano de 2026 marca um divisor de águas para o setor produtivo de Ribeirão Preto. Se até pouco tempo a compra de eletricidade era um ato passivo, restrito aos termos da concessionária local, a abertura consolidada do Mercado Livre de Energia para a alta tensão e a iminência da portabilidade total transformam a energia em um insumo estratégico e negociável. Para padarias, supermercados e pequenas indústrias da nossa região, essa mudança não representa apenas uma possibilidade de redução de custos, mas a oportunidade de assumir o protagonismo na gestão de seus próprios recursos.
Na prática, o ambiente de contratação livre permite que o empresário escolha de quem comprar sua energia, negociando preços, prazos e, principalmente, a fonte de geração. Em uma cidade com o dinamismo comercial de Ribeirão, onde o custo com refrigeração e climatização é um dos maiores pesos no balanço mensal, a migração para o mercado livre pode significar uma economia real que varia entre 20% e 35% na fatura de energia. É a transição de um modelo de tarifa regulada para um ambiente de livre concorrência.
No entanto, essa liberdade exige um domínio técnico apurado sobre o arcabouço regulatório brasileiro. A migração não é um processo meramente administrativo; ela envolve a compreensão de conceitos como a demanda contratada, o risco hidrológico e a modulação do consumo. É fundamental que o empresário entenda a diferença entre a energia "contratada" e a "consumida", além de estar atento às regras de comercialização da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica). Sem uma análise criteriosa do perfil de carga, o que deveria ser economia pode se transformar em exposição financeira a preços de curto prazo (PLD).
Além do fator econômico, há o ganho reputacional. Ao optar por contratos de energia incentivada (solar, eólica ou biomassa), as empresas locais alinham-se às exigências globais de sustentabilidade e podem obter certificações que valorizam sua marca perante um consumidor cada vez mais consciente. É a engenharia elétrica servindo de suporte para a competitividade e para o cumprimento das metas de descarbonização do setor de serviços.
Para que Ribeirão Preto aproveite este ciclo, o conhecimento técnico deve caminhar junto com a estratégia de negócio. A abertura do mercado é um convite à modernização: quem souber interpretar os dados de seu consumo e antecipar as tendências regulatórias terá em mãos uma vantagem competitiva decisiva. O futuro da energia é livre, mas o sucesso nessa nova jornada depende, invariavelmente, de uma gestão técnica precisa e fundamentada.
*Engenheiro elétrico, professor da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga. Especialista em energia sustentável