O sol de 2026: ainda vale a pena investir em energia solar?
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O mês de janeiro em Ribeirão Preto traz duas certezas: o calor continua intenso e os boletos de início de ano (IPVA, IPTU, material escolar) se acumulam. É o momento em que as famílias revisam o orçamento e buscam onde cortar gastos. Inevitavelmente, a pergunta surge: "Será que ainda compensa instalar energia solar, agora que existe a 'taxação do sol'?"
Como professor da área de energia, ouço essa dúvida semanalmente. Existe um mito circulando de que a mudança na lei (o Marco Legal da Microgeração, Lei 14.300) inviabilizou o investimento. Vamos aos fatos e à matemática, deixando o "achismo" de lado.
Primeiro, é preciso corrigir o termo. Não existe "taxa sobre o sol". O que passou a ser cobrado gradualmente é o uso da infraestrutura da distribuidora (o chamado "Fio B"). Antes, quem tinha painéis usava a rede elétrica como uma bateria infinita e gratuita. Agora, paga-se um pedágio justo para injetar essa energia na rede.
"Mas professor, então ficou mais caro?" Sim, o retorno financeiro mudou, mas o cenário econômico trouxe uma surpresa positiva que compensou essa taxa: o preço dos equipamentos despencou. O custo dos painéis fotovoltaicos caiu drasticamente no mercado global nos últimos dois anos.
O resultado dessa equação é simples: se antes o sistema se pagava em 3 anos, hoje ele se paga em média entre 4 e 5 anos. Considerando que um sistema solar tem vida útil de 25 anos, estamos falando de 20 anos de energia praticamente grátis.
Se você colocar o dinheiro da instalação na Poupança ou em um CDB conservador, dificilmente terá um rendimento mensal superior à economia que a conta de luz zerada proporciona. A energia solar continua sendo um dos melhores investimentos financeiros disponíveis para a pessoa física, com uma taxa de retorno interna (TIR) muito superior à maioria das aplicações bancárias.
Além disso, vivemos em Ribeirão Preto, uma região privilegiada com índices de irradiação solar invejáveis. Temos o "combustível" mais abundante do planeta caindo sobre nossos telhados todos os dias. Não aproveitá-lo é um desperdício de recursos naturais e financeiros.
Outro ponto crucial para 2026 é a valorização do imóvel. Casas com geração própria de energia são vendidas mais rápido e por valores maiores. O comprador sabe que está adquirindo um imóvel com custo fixo menor.
Portanto, se você está planejando seu 2026, a resposta é sim. A energia solar continua valendo muito a pena. O "bonde" não passou. A regra mudou, o mercado se ajustou com preços menores e o sol continua nascendo todos os dias. A melhor hora para ter instalado era ontem; a segunda melhor hora é hoje.
*Engenheiro elétrico, professor da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga. Especialista em energia sustentável