Outro campo crescente de pesquisa é a investigação dos comportamentos das baleias. "É uma forma de avaliar os impactos das ações humanas, da sísmica, navegação, usinas eólicas, turismo... Como medir o impacto? Conhecendo mais a fundo os comportamentos e se eles se alteram", esclarece o Diretor de Pesquisas do Instituto.
Durante o seu doutorado na Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus, Bianca Righi, escolheu se dedicar à relação entre as fêmeas e seus filhotes. No final do ano passado, ela publicou um artigo, com a descrição inédita, de um comportamento identificado durante o trabalho de campo.
"A gente conseguiu ver pela imagem do drone, a fêmea com as nadadeiras peitorais cruzadas, e o filhote no meio dela. Ela estava realmente dando um abraço de proteção, porque havia machos tentando se aproximar dela para acasalar, o que é um grande risco para o filhote. Então, ela virava a barriga para cima, puxava o filhote, e nadava de costas", ela relata.
Relações institucionais
O Instituto Baleia Jubarte também tem forte atuação no aconselhamento especializado para a construção de políticas públicas de conservação marinha.
"Quem guarda a história do que aconteceu nos últimos 30 anos somos nós. Então, nós temos um reconhecimento muito grande. Não escutam tudo que a gente fala, mas pelo menos perguntam.", afirma o Diretor Executivo Eduardo Camargo.
Também assessora empresas que buscam diminuir o seu impacto ambiental. O gerente de Projetos Ambientais da Petrobras, Gregório Maciel, lembra que a rota de movimentação do Terminal Aquaviário de São Sebastião (SP), o maior da área de petróleo e gás do país, foi modificada, por causa das jubartes.
"A partir do conhecimento gerado pelo monitoramento das baleias, a gente conseguiu desenhar o melhor traçado para esses barcos chegarem e saírem do terminal sem passar pela rota de migração delas", explica.
"A gente consegue entender como a nossa operação hoje impacta a natureza, e a partir daí a gente tem dois dobramentos: a adequação da operação para gerar o menor impacto possível e o investimento social voluntário, em programas de regeneração e recuperação", complementa o gerente da Petrobras.
A estatal financia o Baleia Jubarte desde a criação do Instituto. Para o ciclo atual, de 4 anos, foram repassados cerca de R$ 30 milhões de reais, que integram uma carteira de aproximadamente R$ 450 milhões destinados anualmente a diversos projetos ambientais.
"A gente está prestando um serviço público", enfatiza Eduardo Camargo. "Tudo bem que é a nossa paixão também, a gente se satisfaz, se regozija, é a nossa missão... Mas estamos cumprindo um papel público", complementa.
*A repórter e a fotógrafa acompanharam a expedição a convite da Petrobras