Coletivo
Foi exatamente essa vivência e experiência nas ações que fazem frente aos desafios sociais, ambientais e também de gênero que Valdineia Sauré, conhecida como Val Munduruku, decidiu também fazer parte das Defensoras por Defensoras.
Nascida em Jacareacanga, no Pará, já fora do contexto de aldeia, nunca deixou as lutas indígenas de seu território pra trás. Levou o ativismo para a vida universitária, onde começou a entender melhor as conexões entre a proteção da terra, os impactos das mudanças climáticas e como isso afeta de forma diferente cada pessoa.
O que acontece no território não é algo isolado e a gente, enquanto pessoas que somos parte da solução, precisamos entender isso. Então, o casamento das causas, da universidade, do território, do movimento de mulheres e da juventude, resulta nesse boom no despertar do ativismo, diz Val Munduruku.
Comunicação
Na união feminina, além de ganharem força para enfrentar os desafios em seus territórios, as mulheres também constroem a comunicação que ultrapassa os espaços coletivos conquistados por elas.
A gente precisa fazer com que não só o nosso meio que está sendo afetado entenda, mas também com que outras pessoas tenham consciência para si, de que também vão ser prejudicadas. E que pobres, indígenas, e mulheres já estão comunicando isso há bastante tempo, mas estão pensando que ainda não tiveram tanta atenção, reforça a paraense.
Cuidado
Em uma publicação lançada recentemente pelo programa Defensoras por Defensoras, o grupo faz uma reflexão sobre o trabalho desenvolvido por elas em relação à Política Nacional de Cuidados (Lei 15.069/2024).
No relatório Mulheres que Sustem o Clima, elas contam suas histórias e apontam lacunas existentes na lei, como a ausência de apoio para lideranças comunitárias e defensoras de território.
Muitas vezes a gente não tem nem tempo para cuidar do próprio corpo, porque tem outras preocupações de como desenvolver um projeto, como que vai defender o território. Então, a gente sempre pergunta nesse movimento, quem defende as defensoras? questiona Val.
A partir dessas reflexões elas também apontam caminhos como a revisão do conceito de cuidado indo além da prática cotidiana entre pessoas e alcançando a relação de cuidado com o território
Então, oferecer suporte, apoio de todas as formas para que a gente consiga também estar na luta árdua e ao mesmo tempo fazer esse abraçamento coletivo de mulheres que cuidam, de mulheres trans, de pessoas que são mais marginalizadas nos territórios e que precisam ter esse olhar do cuidado espiritual, mental, para poder defender o território, conclui Val Munduruku.