Mercedes Sosa: evento no Rio celebra legado da "Voz da América Latina"
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Considerada até hoje a "Voz da América Latina", a cantora argentina Mercedes Sosa será homenageada neste domingo (12), na Casa com a Música, na Lapa, região central do Rio de Janeiro. O evento, que começa às 12h, celebra o legado da artista e marca o aniversário de dois anos do coletivo Argentines Organizades.
Nascida em 9 de julho de 1935, na cidade de Tucumán mesmo local onde foi assinada a Declaração da Independência da Argentina , Mercedes Sosa tornou-se uma das artistas mais emblemáticas do continente. Com ascendência mestiça, unindo raízes europeias e indígenas diaguitas, ela ganhou o apelido de La Negra e dedicou sua trajetória artística à defesa dos direitos humanos e das causas progressistas na região.
Após o golpe militar na Argentina em 1976, que depôs a presidente Isabelita Perón, a cantora foi perseguida pelo regime de Jorge Videla. Em 1979, foi presa durante um show em La Plata e, posteriormente, forçada ao exílio, residindo em Paris e Madri antes de retornar ao seu país. Mercedes faleceu em 4 de outubro de 2009, em Buenos Aires.
Homenagens globais
Araceli Matus, neta da artista e presidente da Fundación Mercedes Sosa, destacou à Agência Brasil que a cantora é celebrada internacionalmente, com eventos na Espanha e na Alemanha, entre outros países. Mesmo em meu país, onde tudo está difícil, há muitas homenagens em várias províncias, a maioria espontâneas, afirmou.
Para Araceli, que nasceu quando Mercedes Sosa tinha 41 anos, o legado da avó permanece vivo. Ela é muito importante para mim. Quando nasci, meus avôs já haviam falecido, então ela foi a única avó que tive. São meus maiores amores, completou.
Cantora e compositora, a neta de Sosa se encontra no Rio de Janeiro para prestigiar a homenagem à avó.
Resistência cultural
O evento no Rio de Janeiro é organizado pelo coletivo Argentines Organizades, composto por mais de 100 migrantes argentinos radicados na capital fluminense pelo Folclore Argentino no Rio e pela Fundación Mercedes Sosa.
Segundo Natalia Mercado, uma das responsáveis pelo coletivo, a celebração é uma resposta ao atual cenário político na Argentina. Em meio às dificuldades que estão acontecendo no mundo e às políticas anti-direitos, celebrar é uma forma também de resistir, pontuou.