Santarém recebe lançamento do festival Sonora Brasil nesta sexta
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A abertura oficial da 28ª edição do Sonora Brasil, festival de música brasileira que percorre o país, será realizada nos dias 19 e 20 de junho, na cidade de Santarém, no Pará. Com o tema Reverberações Afro e Indígenas, a turnê nacional, que é uma realização do Sesc, percorrerá 42 cidades, em 15 estados, com shows inéditos.
Na sexta-feira (19), o Sesc Santarém terá shows de Gean Ramos Pankararu e Suraras do Tapajós. No sábado (20), a programação acontece na Praça Tiradentes, com apresentações de Nderé Oblé e Cabokaji. Ao longo do ano, esses artistas farão um total de 130 apresentações e 30 ações formativas em todo o país.
Original do nheengatu, língua indígena do tronco tupi-guarani, a palavra suraras que significa guerreira ou guerreiro é utilizada como grito de resistência. O grupo Suraras do Tapajós surgiu desse contexto de mobilizações, que eram encerradas com rodas de música formadas por mulheres indígenas no ritmo do carimbó, tradicional do Pará.
Hoje, a gente já ganhou um destaque muito grande na cena cultural e na música brasileira em si. Isso nos fortalece como mulheres indígenas, como defensoras do território, porque primeiramente a gente quer levar a nossa mensagem em defesa dos territórios, em defesa das mulheres, disse Marina Arapiun, integrante do Suraras do Tapajós.
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Ela ressalta que o trabalho na música é parte da resistência indígena por garantias de direitos.
Todo ano a gente sofre um ataque. A gente está em uma luta contínua, sempre, mas a luta não precisa ser só árdua. No começo do ano, queriam privatizar o Rio Tapajós, e foi uma luta muito intensa e muito desgastante, e a gente conseguiu que isso não ocorresse, lembrou.
O carimbó é também para fortalecer o movimento indígena. Você passa ali o dia inteiro no sol quente, enfrentando sol e chuva, e, à noite, você quer ter um momento de descanso, de alegria, explicou Marina.
Para as Suraras do Tapajós, a formação ser integralmente de mulheres contribuiu para a desconstrução da lógica em que os músicos eram homens, enquanto as mulheres só podiam ser dançarinas.
A partir do nosso grupo, já surgiram outros grupos também de mulheres e mulheres indígenas. Então, eu acho que acaba sendo uma referência, disse Marina. [O grupo] acaba quebrando esse paradigma de que o carimbó era tradicionalmente dominado por homens. É o primeiro grupo de carimbó formado somente por mulheres, e mulheres indígenas. Ao ocupar esses lugares, a gente subverte essa lógica, trazendo a voz feminina para o centro da cena cultural.