Na cerimônia de premiação, o cofundador e CEO (diretor-executivo) da GoodBytz, Hendrik Susemihl, explicou que o robô cozinheiro foi pensando não apenas para restaurantes.
Quando pensamos em robótica e comida, pensamos muito em infraestrutura. Então, eu não penso apenas em restaurantes. Penso em hospitais, universidades e infraestrutura militar..., citou.
Para Hendrik Susemihl, a invenção ajuda a superar gargalos da indústria de alimentação. É uma indústria extremamente dependente de trabalho humano. Todos nós já experimentamos restaurantes fechando, falta de mão de obra e também problemas de qualidade, justifica.
Em 2026 temos robôs cozinhando para humanos, o que é realmente ótimo, avalia.
Surgimento da ideia
Em conversa com a Agência Brasil logo após a conquista da premiação, o CEO da GoodBytz contou que a ideia de um robô cozinheiro surgiu de uma história muito pessoal.
Meu pai sofreu um ataque cardíaco muito severo, e minha esposa e eu ficamos muito interessados em alimentação saudável e também em ensiná-lo como isso muda a vida dele e a saúde, relembrou o diretor, que também é cofundador da Neura Robotics, empresa de robôs humanoides.
Hendrik Susemihl contou que achou complicado algumas vezes sair e encontrar algo decente e saudável para comer.
Ele diz que isso o fez se perguntar porque a indústria de refeições funciona da mesma forma que décadas atrás e não evoluiu como outras áreas manufatureiras.
Por que não construir um produto que realmente possa fazer coisas recém-cozidas se tornarem massivamente adaptáveis, escaláveis, e usar robótica e IA exatamente para fazer isso?, indagou.
Próximos anos
Perguntando sobre o que espera do robô cozinheiro nos próximos cinco e dez anos, Hendrik Susemihl disse acreditar que será bastante normal que a automação seja parte do cotidiano das pessoas, não apenas nos serviços de alimentação.
As pessoas agora, claro, estão um pouco assustadas com a mudança do quadro, porque por décadas as pessoas cozinharam manualmente, e o ofício de um chef é algo muito estabelecido também na nossa cultura, admitiu.
Mas ele apresenta nichos que podem ser ocupados pelas cozinhas inteligentes.
Onde é muito difícil encontrar pessoas ou onde simplesmente é caro demais servir, por exemplo, 50 pessoas em uma empresa que não fica perto de um centro da cidade, diz.
O especialista em robótica considera que atualmente há uma separação entre gastronomia premium e consumo básico de alimentos.
O consumo básico, infelizmente, é muitas vezes de qualidade muito baixa, diz.
É isso que estamos mirando com robótica, simplesmente elevar muito isso, tornar refeições muito boas acessíveis para todos por preços justos, sustenta.
Hoje em dia, entre os clientes da empresa estão o Exército dos Estados Unidos; a multinacional francesa de alimentação coletiva Sodexo; a rede de supermercados alemã Edeka; e o grupo europeu Transgourmet, de entrega de alimentos.
*O repórter viajou a convite da Deutsche Messe AG, organizadora da Hannover Messe.