No Rio, Cinelândia tem protesto contra sequestro de Nicolás Maduro - Foto: Agência Brasil
No Rio, Cinelândia tem protesto contra sequestro de Nicolás Maduro - Foto: Agência Brasil
Palco histórico de manifestações políticas, a Cinelândia acolheu na tarde desta segunda-feira centenas de pessoas que protestavam contra o sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa Cilia Flores, no último sábado (3), quando tropas estadunidenses atacaram a capital Caracas.
A manifestação foi articulada no fim de semana pela Frente de Esquerda Anti-imperialista em Solidariedade à Venezuela, formada por cerca de 50 entidades.
A Agência Brasil compareceu ao ato na Cinelândia e ouviu a opinião de venezuelanos que estava por lá.
O venezuelano Ali Alvarez mostra a Constituição de seu país - Gilberto Costa/Agência Brasil
A ação do fim de semana surpreendeu o estudante de mestrado Ali Alvarez, de 31 anos, que foi à Cinelândia protestar. O venezuelano está há oito anos no Brasil.
Não esperava que isso acontecesse na Venezuela. Me senti indignado, disse à Agência Brasil durante a manifestação.
Aluno da pós-graduação em tecnologia para o desenvolvimento social da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Ali Alvarez afirma que a iniciativa dos Estados Unidos representa uma violência ao povo venezuelano e à nossa Constituição Bolivariana.
Há 20 anos no Brasil, o músico e artista Alexis Graterol, 49 anos, compartilha das angústias de Ali Alvarez e afirma que as acusações contra Maduro são falsas.
"[Trump] deseja exclusivamente se apoderar de recursos naturais da Venezuela. Em entrevista coletiva no próprio sábado, Trump anunciou que iria levar ao país invadido nossas grandes empresas petrolíferas dos Estados Unidos as maiores do mundo.
O psicólogo venezuelano Marco Mendoza, de 38 anos, mora no Chile há oito anos, e estava em viagem pelo Rio de Janeiro. Ele também se disse surpreso com a ação do final de semana, mas estava "de acordo" com a intervenção dos EUA.
"[A Venezuela] já sofria intervenções da China, Rússia, Cuba e até do Hezbollah [sediado no Líbano]. Eu prefiro mais 25 anos pagando débito externo aos Estados Unidos do que ficar 25 mais anos com Maduro.
Resistência e soberania
Também de passagem pelo Rio, o cineasta colombiano Raúl Vidales, de 45 anos, teme que os Estados Unidos se voltem contra seu país, onde há ao menos sete bases militares norte-americanas e mais de mil estadunidenses ocupados com os negócios de interesse militar ou do Departamento de Estado dos EUA.
Espero que haja uma resistência cidadã forte por nossa soberania. O problema da colonização, neste momento feroz e brutal, demanda uma ação coletiva interamericana e global frente ao fascismo, opinou.
A mesma expectativa tem o brasileiro Daniel Iliescu, presidente estadual do PCdoB. Esperamos que a sociedade civil na América Latina, os organismos internacionais e governos democráticos de todo mundo possam reagir e reverter essa situação de instabilidade que vivemos lá hoje.
"Está aberta uma nova etapa na história do mundo, em que infelizmente o multilateralismo se enfraquece bastante em detrimento do exercício da força unilateral, avaliou Iliescu. Para ele, a atitude Trump confirma "a decadência contra a qual os Estados Unidos lutam e por isso adotaram essa postura mais beligerante e mais agressiva."
Ato na Cinelândia contra a invasão dos Estados Unidos à Venezuela - Gilberto Costa/Agência Brasil
Conforme o Subcomitê Federal para Acolhimento e Interiorização de Imigrantes em Situação de Vulnerabilidade, entre abril de 2018 e novembro de 2025, mais de 115 mil venezuelanos contaram com apoio do Estado brasileiro para regularizar a situação e fixar residência no Brasil. Desse universo, 3.290 vieram para o Rio de Janeiro.