Coderp foi epicentro do esquema de corrupção apurado na Sevandija

, atualizado

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A trajetória da CODERP também foi marcada por desgaste político e jurídico. A companhia esteve no centro da Operação Sevandija, deflagrada em 2016, que investigou fraudes em contratos públicos, terceirização irregular e pagamento de propina envolvendo vereadores, secretários, empresários e agentes públicos.

O caso levou ao afastamento de nove vereadores e consolidou a imagem da estatal como um dos focos do escândalo.Segundo o Ministério Público, cerca de R$ 105 milhões circularam em contratos fraudados ligados à CODERP. As apurações indicaram que a empresa foi usada como instrumento para contratações voltadas a interesses políticos e eleitorais, e não apenas para serviços de tecnologia e desenvolvimento econômico.

Esse histórico ajuda a explicar por que a liquidação passou a ser tratada também como resposta institucional ao desgaste acumulado.O impacto da Operação Sevandija foi devastador para a CODERP, que passou a ser vista, no meio político, como estrutura delicada de gerir e, perante a população, como símbolo negativo.

Nos anos seguintes, a extinção da CODERP ganhou caráter de reorganização administrativa. A Prefeitura passou a substituir gradualmente os serviços da companhia por soluções de mercado e por absorção interna, ao mesmo tempo em que tentava concluir pagamentos pendentes e transferir ativos para o município.

Em 2025, a contabilidade da CODERP registrou a necessidade de aportes milionários da Prefeitura para evitar a perda de patrimônio da companhia em ações judiciais.Isso mostra que a liquidação não se encerra apenas com decreto ou previsão orçamentária. Ela depende da finalização de contratos, da quitação de débitos, da transferência de ativos e da substituição dos serviços, etapas que podem se estender por anos.