Ribeirão tem risco de greve com impasse entre Estre e sindicatos
Entidades que representam motoristas e coletores não gostaram das propostas feitas pela empresa para aumento salarial
, atualizado
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Motoristas e coletores da Estre Ambiental, empresa responsável pela coleta de lixo em Ribeirão Preto, rejeitaram a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho apresentada pela empresa e já discutem a possibilidade de uma greve que pode paralisar 100% do serviço no município. A data-base das categorias está aberta e a tensão aumentou depois que a empresa manteve uma oferta considerada insuficiente pelos trabalhadores. Uma nova rodada de negociações está prevista para sexta-feira (6).
No caso dos motoristas, a oferta foi de um reajuste de 5,5% nos salários, índice que, segundo a Estre, está 40% acima da inflação medida pelo INPC de 2025, de 3,89%. O grupo também propõe manter as cláusulas sociais de 2025 e aplicar o mesmo percentual de 5,5% ao auxílio-alimentação.
Os trabalhadores rejeitaram a proposta em assembleia e apresentaram uma contra pauta. O salário dos motoristas gira hoje em torno de R$ 2.380, e a categoria reivindica um piso de R$ 2.600.
Outro ponto de atrito é o tratamento das horas extras. O sindicato reivindica pagamento de 100% de adicional a partir da segunda hora, igualando a situação dos motoristas à dos coletores, que já recebem esse percentual. A proposta da empresa, no entanto, é pagar 70% nas horas que ultrapassarem esse limite.
Em paralelo, os coletores, que possuem a mesma data-base, mas são representados por outro sindicato, caminham na mesma direção. Eles também avaliam rejeitar a proposta feita pela empresa, por entenderem que o pacote de reajustes e benefícios não atende às necessidades da categoria. A convergência aumenta a possibilidade de uma greve conjunta entre as categorias.
Estre diz manter 'diálogo aberto' com trabalhadores
Em nota ao Jornal Ribeirão, a Estre Ambiental afirmou que o serviço de coleta de lixo segue normal em Ribeirão Preto, enquanto mantém diálogo aberto com os sindicatos que representam seus funcionários.
"A Estre reforça que respeita as entidades sindicais, valoriza seus colaboradores e atua com responsabilidade para construir uma solução equilibrada, considerando tanto as reivindicações apresentadas quanto a sustentabilidade dos contratos e a continuidade de um serviço essencial à população. Qualquer deliberação será comunicada de forma oficial, transparente e no momento oportuno", diz o texto.
Prefeitura diz que acompanha as negociações
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Ribeirão Preto informou que as tratativas do Acordo Coletivo de Trabalho competem exclusivamente à empresa contratada e às entidades sindicais que representam motoristas e coletores.
A administração municipal afirma, porém, que acompanha de perto o andamento das negociações para avaliar possíveis impactos na prestação do serviço e, se necessário, cobrar da empresa a adoção de um plano emergencial que assegure a continuidade da coleta, considerando o impacto direto que uma eventual paralisação teria sobre a cidade.
Em nota, o presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários e Trabalhadores em Empresas de Transporte de Ribeirão Preto e Região, Walter Gomes, disse que as negociações continuam e insistiu em melhorias na proposta.
"Não se trata de um pedido exagerado ou fora da realidade, mas de uma correção mínima para aproximar remuneração e benefícios das condições reais de trabalho e do peso social da função exercida. A coleta de lixo é um serviço essencial, que impacta diretamente a saúde pública e a qualidade de vida da população", afirmou o sindicalista.