Prefeitura tem apenas três negros nomeados no 1º escalão
Levantamento indica que menos de 5% dos 63 secretários, adjuntos, diretores e presidentes de fundações são pretos ou pardos
, atualizado
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A Prefeitura de Ribeirão Preto tem, entre seus 63 integrantes do primeiro escalão, apenas três pretos ou pardos. Os dados constam de um levantamento de organizações ligadas ao movimento negro, foram confirmados pelo Jornal Ribeirão e incluem secretários, secretários-adjuntos, presidentes e diretores de autarquias, fundações e empresas públicas, sendo que, entre os secretários, há apenas um representante.
Os dados escancaram a falta de representatividade racial no comando da Prefeitura de Ribeirão Preto. Os negros e pardos no primeiro escalão correspondem a 4,7% dos indicados pelo prefeito Ricardo Silva (PSD).
Em uma cidade em que quase 36% da população se autodeclara preta ou parda, segundo dados do IBGE de 2022, os últimos disponíveis, o número demonstra o abismo racial que persiste dentro do poder público, indicando que o número de negros nas posições de poder é pelo menos sete vezes inferior à representatividade das raças na população da cidade.
OS NEGROS
Os negros do primeiro escalão são Valdir Martins, secretário da Educação; Gis Oliveira, ex-secretária-adjunta da Cultura recentemente nomeada como vice-presidente da Fundação Pedro II e Washington de Paula, atual adjunto na Cultura.
ANÁLISE
De acordo com advogada Débora Oliver, especialista em Direitos Humanos e uma das realizadoras do levantamento, a situação demonstra um problema estrutural em Ribeirão que não vem sendo enfrentado pelas autoridades.
"A branquitude não pode ser a ferramenta basilar de escolha de liderança. Os números e as histórias que se repetem mostram um padrão: o racismo estrutural ainda define quem chega ao topo e quem é mantido à margem. Não é sobre ausência de talentos — é sobre a persistência de um sistema que escolhe quem pode liderar e quem deve permanecer invisível", avalia.
Secretário não soube responder sobre letramento racial, diz advogada
A advogada Débora Oliver ressalta que o que ela define como " pacto da branquitude" não é um acordo explícito, mas um mecanismo silencioso que determina o que é considerado competência, legitimidade e poder.
"Em uma reunião com o Secretário da Assistência Social, Júlio Baleiro, questionei diretamente: 'Quem é a sua população? Alguém da sua equipe tem letramento racial?' — e ele não soube responder. E isso diz muito. Um homem branco comandando uma pasta cuja população é majoritariamente negra e periférica, sem letramento racial, cercado por uma equipe visivelmente despreparada para compreender as urgências reais do território", avaliou.
Segundo ela, enquanto esse pacto seguir orientando decisões e ocupando espaços de definição, a exclusão continuará sendo tratada como normalidade.
"O letramento racial é o passo essencial para romper esse ciclo: reconhecer privilégios, redistribuir oportunidades e construir uma sociedade onde a liderança reflita, de fato, a diversidade do povo brasileiro".