Complexo autista: alerta, qual pasta?
Secretarias de Educação, Assistência Social e Saúde disputam projeto em Ribeirão Preto
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A futura implantação do Complexo Neurossensorial Casa do Autista em Ribeirão Preto expõe um cenário de problemas crônicos nas secretarias municipais da Assistência Social, Educação e Saúde, incapazes de atender adequadamente a população, especialmente os autistas. Em que pese a importância da iniciativa, Ribeirão Preto está longe de ter estrutura para implantação da Casa do Autista no modelo de Camboriú. Ribeirão Preto desde a década de 90, vem copiando modelos de Curitiba e Santa Catarina para fazer onda política desconsiderando aspectos estruturais de base.
Assistência Social, a Secretaria Municipal encontra-se sob escrutínio devido a problemas como a gestão ineficiente, desorganização e casos de omissões e negligências. O Departamento de Alta Complexidade da SEMAS, responsável por casos sensíveis como o dos indígenas mortos, além de problemas no Média Complexidade, responsável pelos Creas, Naem, Centro-Pop, CREPD, Centro POP, CRAS, Agora Acolhimento Institucional que são as Casas de Passagens todos influenciados por questões político religiosos do Pastor Brando Veiga e Gláucia Berenice apresentam falhas estruturais graves e influência política religiosa questionável, prejudicando a credibilidade e eficiência da secretaria para gerenciar novas iniciativas como a Casa do Autista.
Já na Educação, o atendimento regular dos alunos autistas e pessoas com deficiência tem sido deficiente, com falta de professores de apoio, mediadores e monitores. A ausência de um diagnóstico preciso e de psicólogos especializados agrava a situação, resultando em ações judiciais para garantir a matrícula e atendimento especial desses alunos. Embora seja a pasta que mais pode oferecer a Casa do Autista, a secretaria peca com falta de profissionais da educação, apoio, mediadores, psicólogos especializados.
Na Saúde, a falta de espaço e de unidades adequadas para o atendimento de urgência nas UPAS configura um gargalo no sistema de saúde municipal. Apesar da contratação de mais médicos, a escassez de médicos psiquiatras especializados impacta diretamente na capacidade de garantir um tratamento adequado aos autistas e demais pacientes. A ausência desses profissionais compromete a qualidade do serviço oferecido, evidenciando um problema crônico estrutural a resolver na Secretaria de Saúde, talvez seja muito mais uma pasta de apoio a Assistência Social e Educação.
Diante desse panorama preocupante, a implementação da Casa do Autista em Ribeirão Preto requer não apenas um esforço pontual, mas sim uma transformação estrutural e comprometida das secretarias municipais. Embora não sejam alvo de críticas diretas, o atual governo de Ricardo Silva e os secretários das pastas citadas têm a responsabilidade de romper com estruturas ultrapassadas e deficientes para garantir um ambiente inclusivo e acolhedor para a comunidade autista. A falta de preparo e investimento contínuo nessas áreas essenciais limitam a capacidade do município de cumprir seus compromissos constitucionais e sociais, exigindo uma mudança urgente na abordagem e prioridades administrativas para garantir o bem-estar e dignidade de todos os cidadãos, incluindo os autistas.