Demissão de gerente pelas redes sociais custa R$ 25 mil ao Santa Lydia

Fundação fez acordo em processo na Justiça do Trabalho; prefeito Ricardo Silva também deve ser processado

, atualizado

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Prefeito Ricardo Silva ao lado do secretário Maurício Godinho, no vídeo que gerou o processo
Prefeito Ricardo Silva ao lado do secretário Maurício Godinho, no vídeo que gerou o processo - Foto: Reprodução/Redes Sociais
Prefeito Ricardo Silva ao lado do secretário Maurício Godinho, no vídeo que gerou o processo - Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Fundação Santa Lydia irá pagar R$ 25 mil a título de indenização por danos morais ao coordenador da UPA Oeste, que foi demitido pelo prefeito Ricardo Silva (PSD) pelas redes sociais, durante uma inspeção. Como houve proposta de acordo, não cabe qualquer recurso.

“Além de perder meu emprego, fui tratado de forma vexatória, em um vídeo que foi feito para redes sociais e que sequer representava a verdade”, afirmou João Ribas, autor do processo trabalhista.

O episódio envolvendo a demissão ocorreu em 8 janeiro de 2025, quando Ricardo Silva e o secretário de Saúde, Maurício Godinho, estiveram na UPA Oeste — localizada no bairro Sumarezinho - e anunciaram a demissão do gerente em frente às câmeras, durante gravação para redes sociais.

No post, o prefeito afirma que encontrou a sala da coordenação da unidade trancada, sugerindo ao secretário a demissão do responsável pela UPA, que é confirmada pelo chefe da pasta.

Procurado, o prefeito declarou que iria tomar conhecimento do acordo e comentaria posteriormente, o que não ocorreu até o fechamento desta matéria. A Fundação Sant Lydia, ré no processo, também não se pronunciou.

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O profissional demitido, vinculado à Fundação Santa Lydia, registrou boletim de ocorrência afirmando que já havia sido desligado horas antes da gravação, o que tornou a situação ainda mais constrangedora.

Argumentou, também, que teve danos à carreira, na medida em que os profissionais da saúde imediatamente ligaram o vídeo à sua demissão. “Meu currículo e meus anos de serviços prestados comprovam o funcionário que fui. O que houve foi uma tentativa de descredibilização”, informou.

Críticas

A demissão gerou críticas de sindicatos e da imprensa, que apontaram constrangimento público e uso das redes sociais para formalizar decisões administrativas e, segundo a especialista em mídias digitais Patrícia Lima, deve render mais dor de cabeça ainda a Ricardo.

“Ainda existe um agravante, que é a reverberação do vídeo nas redes sociais, que chegou até o ambiente de trabalho. Houve, de certa forma, um processo de desgastar a imagem do homem que foi demitido”, avalia.

“O que causou essa situação foi a exposição em rede social. Querendo ou não, o vídeo foi utilizado como ferramenta política, baseada na exposição do funcionário. E também temos a questão da Lei Geral de Proteção de Dados, que deve ter sido um dos argumentos no processo”, finaliza. “E ele [Ricardo] deve perder novamente, por ter atacado, como prefeito, um funcionário que estava desempenhando a função”, analisa.

Prefeito também deve enfrentar ação judicial

João Ribas, coordenador da UPA Oeste demitido pelo prefeito Ricardo Silva através das redes sociais, informou que deve acionar o chefe do Executivo em uma ação de indenização por danos morais. No processo em que houve o acordo, a ré foi a Fundação Santa Lydia e a Prefeitura de Ribeirão.

“Obviamente houve um erro por parte da Fundação, que é a empregadora e fez a demissão de uma forma vexatória. Mas certamente o prefeito também será responsabilizado, notadamente porque mentiu nas redes sociais e divulgou uma informação que, além de ofensiva o João Ribas, não era sequer verdadeira”, informou.

Advogado fala em depressão e desrespeito

O advogado Francisco Martins, que representou João Ribas, o funcionário demitido, no processo, afirmou que a Fundação Santa Lydia foi acionada judicialmente por permitir que a imagem do seu funcionário fosse atacada nas redes sociais.

“A começar do fato de haver a produção e gravação de um vídeo, que serviu exclusivamente para a promoção do prefeito em suas redes sociais, em local de atendimento público, a ação foi completamente equivocada”, disse.

Segundo o advogado, a informação sobre a demissão de Ribas viralizou nas redes sociais, fazendo com que a imagem dele fosse atingida. “Foram centenas de ligações e muitos comentários, parte deles depreciativos. O João até hoje não conseguiu voltar ao trabalho e passou a vivenciar episódios de depressão”, contou.

Martins afirmou ainda que irá ingressar com ação pessoal contra o prefeito. “Essa ação foi trabalhista, contra a empregadora do meu cliente, mas estamos trabalhando em uma ação de indenização contra a pessoa do prefeito”, afirmou.